domingo, 21 de agosto de 2016

Análise Pós-Jogo (Flamengo 2x1 Gremio): Dez clássico?

Na chegada de Diego ao Flamengo, muito se falou na capacidade de criação do craque, sobre como ele conseguiria elevar a capacidade dos atacantes, principalmente Guerrero. Os mais céticos, com seus argumentos negativos, diziam que o meia pouco auxiliava na marcação, era bastante frio e um jogador puramente técnico, sem tanta vontade, sem tanta gana tática e defensiva. Até que ponto isto tudo é verdade? Neste texto abordarei sobre o comportamento da equipe do Flamengo no jogo de hoje, focando-se um pouco no tema mais importante da partida, a estreia de Diego. Para ver o resto, caso esteja em nossa página principal, clique no Leia Mais!

O jogo entre Flamengo e Grêmio foi mais uma amostra da grande evolução da equipe rubro-negra. Uma boa vitória em Brasília contra uma das melhores equipes do campeonato. Com isso, vários fatores podem ser atribuídos a este resultado, e eu listarei alguns.

A entrada de Gabriel deu mais qualidade no lado esquerdo. O baiano sempre atua melhor daquele lado do campo. Cortando para o meio ou fazendo tabelas com os laterais, seu repertório é bastante ampliado devido a maior possibilidade de ações que ele pode executar. Sua atuação, somado ao excelente jogo de Jorge e ao bom entendimento da dupla, mesmo que ambos com pouco ritmo de jogo, que nem foi tão notável, fez com que a equipe fosse muito mais perigosa naquele setor, sempre gerando risco à defesa gremista, principalmente no primeiro tempo.

Pelo lado direito, é importante se destacar os volantes, principalmente Gustavo Cuéllar. Dando prosseguimento à função de Willian Arão em apoiar bastante o lateral direito no jogo, o colombiano mostrou que se dá muito melhor quando sai mais pro jogo do que jogando recuado e sendo o homem do combate, sendo taticamente importante nas coberturas, embora ainda não mostrando todo o seu potencial na parte técnica. Marcio Araujo novamente fez uma boa partida, um pouco abaixo do normal, mas regular e em nada comprometeu, como comumente. Foi legal ter visto Marcio Araújo e Cuéllar fazendo dupla durante todo o jogo, mostrou que pode dar certo, pois Cuéllar claramente é superior taticamente quando joga na posição de segundo volante.


Não se pode esquecer de citar Leandro Damião. O camisa 18 mostrou boa vontade, sempre disposto e com muita raça, buscando pressionar a defessa, sendo fundamental no pressing por esses motivos. Além disso, foi preciso nas finalizações e perigoso, como um centroavante precisa ser. Parece que os dias de Paolo Guerrero na titularidade estão contados.

Além disso tudo, o principal homem do jogo foi Zé Ricardo. O técnico do Flamengo conseguiu fazer com que a equipe jogasse bem tanto no primeiro quanto no segundo tempo. O famoso "gegenpressing" (pressing realizado logo no momento da perda da bola) pode ser notado, principalmente na primeira etapa, onde o time estava mais descansado, obviamente. A equipe pressionava bem a saída de bola dos gaúchos, acelerando o jogo e provocando alguns erros, o que é mostrado nas estatísticas do primeiro tempo, em que o Flamengo foi superior tanto em passes certo quando no aproveitamento destes.

É de se elogiar, primordialmente, o comprometimento tático de todos os jogadores do Flamengo. Todos, e absolutamente todos, fizeram com que o time funcionasse, e é por isso que talvez não tenhamos um melhor jogador em específico dentro da partida, mas sim todo o esquema montado. Enquanto tínhamos um 4-2-3-1 fluindo ao 4-3-3 na saída de bola, com Cuéllar e Márcio Araujo voltando bem pra fazer a lavolpiana (quando um time faz a saída de bola com uma linha de três jogadores), afim de ganhar superioridade numérica, levando em conta que o Grêmio pressionava com dois jogadores na frente.

Saída lavolpiana aplicada pelo Flamengo, com Márcio Araujo no centro da trinca. É possível notar a marcação pressionada do Grêmio com dois jogadores. além de Jorge e Cuéllar como opção.
No momento defensivo, mantinha-se o 4-2-3-1 quando a bola estava no campo gremista e rapidamente se alterava em um 4-4-2 com duas linhas bem compactas, sempre muito bem organizado, o que garantiu a boa segurança defensiva que tivemos durante quase toda partida. Em torno de aproximadamente 10 a 15 minutos, Zé Ricardo alterou um pouco a filosofia do time, pressionando um pouco menos no 4-1-4-1, com Marcio Araujo se posicionando entre a defesa e o meio campo, dando mais segurança nas bolas enfiadas pelo chão.

Entendo que sem Luan e Walace a equipe do Grêmio perde bastante tecnicamente e taticamente, mas é necessário se elogiar a organização que Zé deu ao time do Flamengo neste jogo. Linhas sempre bem feitas e compactas no momento defensivo, boa saída de bola, troca de passes e sendo contundente dos dois lados do campo, pressing bem executado, dando pouco espaço para o adversário sair jogando.

Vamos agora falar de Diego. Tendo estatisticamente uma boa estreia, com um gol e sendo o segundo jogador com a maior porcentagem de posse de bola da equipe, no campo, notou-se um meia bem participativo. O camisa 35 deu bastante dinamicidade ao time, controlou bem o ritmo de jogo, onde, principalmente no primeiro tempo, jogava mais pelo lado esquerdo, puxando a marcação, o que abria bastante o corredor para as tabelas entre Jorge e Gabriel. No segundo tempo, com a mudança para o 4-1-4-1, sobretudo após a entrada de Alan Patrick, Diego ficou mais centralizado, atuando mais na linha de meio campo. Contudo foi interessante vê-lo fazer um papel de quase que um volante no momento cobriu Jorge na lateral esquerda, fazendo um belo desarme de carrinho e partindo com a bola, driblando e sofrendo a falta em sequência, mostrou a raça que é necessária para ganhar confiança da exigente torcida rubro-negra.

Mapa de Calor de Diego mostra como o jogador se posicionou bastante no lado esquerdo do campo. Fonte: WhoScored.com
Quem viu a partida, pode perceber um Diego muito diferente do que se conhece, muito menos agressivo e incisivo, com apenas um passe decisivo, jogando bem mais recuado, porém não é algo ruim de todo. O meia mostrou que o torcedor não precisa se preocupar tanto com falta de raça ou comprometimento defensivo, pois mostrou tudo isso no jogo de hoje, mas ainda não foi o jogador que esperávamos. De fato, é preciso dar tempo para que ele recupere seu ritmo de jogo e se readapte ao estilo estilo de jogo brasileiro, mas o que tivemos pra hoje foi a amostra de que um novo ídolo do Flamengo pode ter iniciado sua trajetória hoje.

2 comentáriosTeste:

  1. Bom texto, pra um reinício a análise sobre o Diego vale, mas é bom aguardarmos mais algumas rodadas.

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    1. Sim, obviamente. É preciso dar tempo para se julgar, mas o que digo é que foi interessante vê-lo se movimentando e buscando o jogo, não se escondendo, e com bastante vontade. Isso é algo importante

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