segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Análise Pós-Jogo | Chapecoense 1 x 3 Flamengo | Adaptação, sobrenome de Zé.



Quando os times de futebol analisam técnicos para finalizar o elenco, uma coisa bastante observada é o currículo pessoal. Não importa se é um técnico que teve renome em décadas passadas, ou se é aquele famoso paizão que conquista os times na motivação, o que ainda se vê bastante é a quantidade de treinadores que já se tornaram obsoletos no futebol ainda terem espaço para treinarem times grandes, enquanto alguns bons nomes, como Guto Ferreira, se contentam em ficar com equipes de menor investimento e estrutura.

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Por mais que existam exemplos como Enderson Moreira e Eduardo Baptista, que foram nomes que não conseguiram se firmar em clubes grandes ainda (e que é algo discutível, para ambos, principalmente Eduardo, que não tinha um grande time no Fluminense, sem falar nos rachas do elenco), apostar em técnicos novos e promissores hoje em dia dá muitos frutos, vide o Grêmio com Roger Machado e até mesmo a Seleção Brasileira Olímpica com Rogério Micale. É preciso de um ar novo ao futebol brasileiro, o que justamente estão fazendo os treinadores "renovados" como Dorival, Ricardo Gomes, Tite e Cuca. O futebol não é mais como era há algumas décadas atrás e as provas disso estão nas seleções inglesa e italiana, e os clubes de seus respectivos campeonatos, que cada vez mais sentem as dificuldades de se adequar ao futebol moderno, quando precisam defrontar outras equipes europeias.

Entretanto é preciso se separar o conceito de futebol moderno com futebol ofensivo, que por muita gente é confundido como se fossem a mesma coisa. Certo que o grande revolucionário do futebol moderno foi Guardiola, um treinador com uma mentalidade bastante ofensiva, com linha de defesa alta, marcação em pressing, apoios muito próximos e um número impressionante de triangulações, mas é necessário que se diga que não há um estilo de jogo perfeito, pois do contrário não haveria competição. Além disso, deve-se separar os gostos pessoais às necessidades e à realidade, para não se achar que apenas o futebol ofensivo é o que ganha jogo, apenas jogando "bonito" e para frente é que se faz gol. Existem e já existiram grandes mentes do futebol mundial que adotaram esquemas mais defensivistas e se consagraram assim, e não precisa voltar tanto no tempo para perceber isso, é só se lembrar de José Mourinho e Diego Simeone.


O que se viu no primeiro tempo de jogo, principalmente após o gol, foi uma equipe muito organizada, com duas linhas de 4 no momento defensivo, ambas bem próximas, formando um time muito bem estruturado defensivamente. O grande problema era na puxada dos contra-ataques, tanto com Everton, que o que tem de velocidade, falta em inteligência e controle de bola, quanto com Gabriel, que por mais que seja liso e bom tecnicamente, não é um grande velocista como seu companheiro da ponta oposta, dificultando sempre na transição rápida, em que o Flamengo sempre perdia a bola antes de conseguir efetivamente uma superioridade numérica, além de que a bola nunca chegava limpa nos pés de Diego ou de Willian Arão, para descolarem um bom lançamento ou um passe mais primoroso, sempre saía muito mascado e difícil para o domínio dos criadores de jogo, o que facilitava a pressão dos catarinenses e permitiu com que eles tivessem um domínio de jogo no campo do Flamengo.

Não se pode deixar passar também que mais uma vez o time se comportou muito bem ofensivamente, temos melhorado bastante nesse quesito, principalmente com a chegada de Diego, que embora ainda não tenha sido o grande meia que se espera, por razões óbvias e claras, deu uma nova cara ao meio de campo e se encaixou muito bem no 4-2-3-1 armado por Zé Ricardo. Um time que erra muito pouco, tanto ofensivamente quanto defensivamente é um time que tem mentalidade de campeão, e sendo o terceiro time a errar menos passes na rodada (atrás de Ponte Preta e Palmeiras), fazendo jus à segunda colocação no campeonato, beliscando o merecido líder Palmeiras.

4-2-3-1 típico do Flamengo de Zé Ricardo, aplicado no 1º tempo, com aproximação dos pontas, deixando o corredor livre para os laterais darem profundidade, e a variação pra 4-4-2 no momento defensivo, onde Diego pressiona a defesa adversária junto a Guerrero.
Com tudo isso, tem de se dar um destaque a Zé Ricardo. E por isso os dois primeiros parágrafos, e o título do texto. Zé foi imprescindível na vitória, mais uma vez, mostrando que o slogan da diretoria em que "craque o Flamengo faz em casa" está incompleto, porque bons treinadores também são feitos aqui, agora. Vale lembrar que este é o primeiro serviço de Zé Ricardo em qualquer equipe profissional que dispute o Campeonato Brasileiro, e ele está há apenas 3 meses no cargo. É de orgulhar o grande progresso da equipe nas mãos do novo técnico e o quanto podemos ter no futuro com a progressão de Zé. É certo que há um errinho aqui ou ali, muitas vezes por inexperiência, mas no geral, é de se ficar contente com a segunda colocação no brasileiro, a vaga no G-4 cada vez sendo mais confirmada e um sonho real com o título nacional.

Dentre todas as boas características de Zé Ricardo, dou enfoque à adaptação com que o treinador tem perante ao adversário. Pode-se notar o quanto a equipe melhora estruturalmente após o intervalo, seja com mais ânimo, ou seja em detalhes táticos mesmo, com uma subida um pouco maior dos laterais, as vezes, ou até conseguir se segurar bem, como foi o caso no jogo contra o Cruzeiro. É impressionante como o time responde aos comandos dele. E se o seu principal problema eram as substituições, esqueça, pois mais uma vez suas substituições deram uma cara nova ao time, modificando o esquema de um 4-2-3-1 para um 4-3-1-2 (ou 4-4-2 losango), porém ainda com 2 linhas no momento defensivo, esquema que mostrou uma enorme fluidez, com bastantes variações e foi onde Guerrero conseguiu render muito mais do que durante todo o restante partida.

Fluidez do 4-3-2-1 com o 4-4-2 após as entradas de Mancuello e Leandro Damião. Reparem na quantidade de triangulações no momento ofensivo.
E pegarei pesado agora, pois de certa forma, a quem não está desfrutando do atual momento da nossa equipe e quer a cabeça de nosso treinador numa bandeja, lamento dizer, mas ou você é o típico torcedor ultra-pessimista e que não se conforma com absolutamente nada que acontecer, ou não entende nada de futebol. De qualquer maneira, busque aprender sobre o assunto ao emitir uma opinião, não apenas repita o discurso de comentaristas de TV, que por muitas vezes são piores do que qualquer blogueiro que você vê por aí.

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