quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Análise Pós-Jogo | Flamengo 2 x 1 Ponte Preta | Jeito de campeão


Uma das frases mais fieis da torcida rubro-negra sem dúvida é o lema "se não for sofrido, não é Flamengo". É raro se achar um título que não tenha sido conquistado na raça, no sufoco, e talvez seja por isso que o Flamengo é tão popular. Assim como uma novela ou um daqueles filmes premiados, torcer para o Flamengo é algo que te faz transpirar a cada momento, te faz ter agonia, ficar maluco, porque além de ver um jogo de futebol, existe um drama envolvido, e como qualquer torcedor do Flamengo, a emoção é multiplicada em 1000, seja em qualquer situação.

Desde o empate contra o ASA de Arapiraca em 2006, a vitória suada e nos últimos minutos contra o Cruzeiro em 2013, ou o gol de cabeça do Ronaldo Angelim, em 2009 que nos deu o título na última rodada, passando até pelo lance de Nunes, em que fez um gol decisivo em 1980, para conquistarmos nosso primeiro título brasileiro, ser Flamengo é viver em um drama eterno, com emoções a mil. Mas isto pode ser explicado melhor no texto do Salotti que você pode ver aqui na página, sob o título "Trampolim", vamos ao jogo. Se está em nossa página principal, clique em leia mais aqui embaixo para conferir o restante desse texto.

Há quem diga que foi um jogo ruim por parte da equipe do Flamengo, taticamente, e eu digo o exato contrário: foi um jogo excelente por parte da Ponte Preta, taticamente. Eduardo Baptista mostrou mais uma vez porque é um nome bastante subestimado no Brasil, um treinador com bastante inteligência e bastante estudioso, que sabe o que fazer de suas equipes, tanto estruturalmente quanto em suas substituições.

Zé Ricardo teve seus defeitos, principalmente quando colocou Cirino e na falta de ligação entre a defesa o meio campo, principalmente no primeiro tempo, onde Diego e Arão estavam se escondendo um pouco do jogo, mas no geral foi bem novamente, repetindo o estilo de jogo de sempre, mostrando um bom padrão tático. A entrada de Mancuello deu um gás a mais ao time, principalmente nas bolas paradas, que são sempre muito perigosas com o argentino, e Zé sabe que esse seria um jogo onde se precisava ter um jogo aéreo forte, devido a boa pressão dos paulistas à bola com o meio campo e o posicionamento mais recuado da defesa, que obrigava o Flamengo a precisar rodar bastante a bola, e foi em jogadas nas laterais, principalmente pelo lado direito com mais uma boa exibição de Pará na parte ofensiva, que gerou mais perigo ao gol defendido pelo goleiro Aranha.
Pressão exercida pelo meio de campo da Ponte Preta, com uma linha de defesa mais recudada. Há espaço entre os setores, justamente onde Leandro Damião (com a bola) passa, porém não gera tanto perigo pois a defesa estava bem atenta ao lance, além de Marcelo Cirino ter tomado a decisão errada, precipitando o chute, que foi pra fora.
Outra coisa importante a ser citada é a carência que o time teve de um jogador ao lado de Diego. Não estou falando que Arão tenha jogado mal, não isso, inclusive o achei o melhor da partida, mas a falta de um jogador presente na penúltima linha que fosse capaz de destruir a marcação com suas jogadas, e esse homem poderia ser Guerrero. O fato de Diego ter jogado muito bem nos seus 3 primeiros jogos colocou um alvo em suas costas nessa partida contra a Ponte Preta, e fez com que o camisa 35 fosse perseguido pela marcação. É notável que a todo momento, quando Diego tinha a bola, havia uma marcação acentuada a ele, o que fez com que o time necessitasse de um jogador mais incisivo e criativo, ou seja, um atacante com poder de criação. Eu destacaria 3 jogadores capazes de fazer essa função dentro do elenco, mas por motivos diferentes, nenhum poderia ter sido colocado naquela ocasião.

Diego tem a bola no meio e, logo após fazer o drible, já tem dois marcadores em sua cola, o que mostra a preocupação de Eduardo Baptista em marcar o jogador.
O primeiro, como já dito, é Paolo Guerrero, que com bons pivôs e visão de jogo, consegue fazer bem o papel de sair da área para puxar a marcação, inclusive melhor do que fazer gols, que parece ser sua pior característica como centroavante, mas o peruano não podia jogar pois acabou de participar de um jogo pela sua seleção a valer pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. O segundo, Ederson, mas este sem poder jogar por razões médicas novamente, como resultado de uma entrada criminosa de Fagner naquele jogo contra o Corinthians, na Arena, é um jogador mais dinâmico, bastante inteligente, que sabe o que fazer com a bola e extremamente perigoso quando ocupa a ponta esquerda do campo, centralizando e ampliando seu leque de possibilidades. Por último, temos Adryan, o menino de 22 anos tem talento e é bom jogador, mas psicologicamente parece não estar preparado para pegar jogos tão pesados e de grande importância como era aquele, por isso eu descartaria colocá-lo na partida.

Mas, com o que tinha, Zé foi eficaz ao efetuar suas substituições. Mais uma vez sendo agressivo, mas sem ser suicida, recuou Arão para primeiro volante, onde o time não precisava tanto fazer saídas de bola da defesa, já que pressionava o tempo todo, portanto o camisa 5 tinha um pouco mais de liberdade, e foi onde ele foi brilhante e pra mim o melhor jogador durante toda a partida. Willian Arão conseguiu corresponder às expectativas e voltar a jogar o futebol que há muito não se via. O volante teve uma boa contribuição na parte defensiva, com ótimos desarme, sempre ganhando no mano-a-mano, e também na parte ofensiva, onde ele iniciava jogadas e procurava acelerar mais o ritmo de jogo, com poucos toques na bola, sempre procurando a melhor opção entre os jogadores de profundidade (que costumavam ser Everton e Pará).


A entrada de Mancuello também foi benéfica, fez bem o papel, apesar de tecnicamente não ter rendido o que pode, mas ao menos foi muito perigoso nos escanteios e por muito pouco não fez um belo gol, numa jogada em que Fábio Ferreira cortou. É interessante ver mais uma vez a adaptação que o Zé promove à equipe, sempre que não estamos conseguindo o resultado ideal.

É bom que seja dito também sobre mais uma boa partida de Gabriel. Me parece o melhor entre os quatro (não que seja um grande triunfo), onde participou bem, fez o primeiro gol e, na minha opinião, foi o melhor jogador do primeiro tempo. Gabriel dá uma dinamicidade maior ao time e tem mais qualidade técnica que os demais pontas da equipe, e o fato de ter jogado bem pode ter sido devido à forte marcação ao Diego, que fez com que ele ficasse mais livre, podendo criar mais. É claro, como eu disse, Guerrero, Ederson ou Adryan poderia fazer essa função melhor que o baiano, mas sem esta possibilidade, calhou para o camisa 17 fazer isso.

Porém, apesar de tudo, o principal triunfo do Flamengo nessa partida de ontem foi ter sido Flamengo. E ter sido o melhor Flamengo possível, aquele que se entrega até o fim, não desiste, luta, persiste, o time com mais jeito de campeão do país. E por que jeito de campeão? Não por ser o mais glorioso, ou o que tem o maior número de títulos, mas por ser o mais apaixonante, isso faz um grande campeão. E diversas variáveis nos faz acreditar que o título é uma realidade, e exemplifico com o brilhante trabalho de Zé Ricardo, o ótimo elenco que temos, o nosso principal craque, jogadores desacreditados rendendo o que nunca renderam na vida, mas, o principal de tudo, essa receita de Flamengo, uma receita de um campeão.

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