sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Análise Pós-Jogo | Palmeiras 1x1 Flamengo | Um time corajoso



Difícil fazer uma análise pós jogo após um jogo tão intenso e emocionante. Focar na disposição tática do time, os detalhes... estávamos todos enlouquecidos e esperançosos pela vitória, que quase veio mesmo com um jogador a menos

Para analisar bem a partida, vamos começar do primeiro lance chave do jogo, que foi a expulsão de Márcio Araújo. ”E Agora!?” “O que o Zé vai fazer!?” “Vai tirar um dos pontas, o Damião!?” “Pera aí, é o Diego que tá saindo... esse cara é louco!?” Bradava a torcida rubro negra, quase em sua totalidade após ver a “maluquice que Zé Ricardo estava fazendo.


Com um a menos e sem Diego, o que seria do Flamengo na partida? Foi o Flamengo. O Flamengo de Zé Ricardo, que mais uma vez foi questionado no momento da alteração, outrora calcanhar de Aquiles, que se tornou um grande trunfo. Mesmo sendo chato ver o craque do time saindo no primeiro tempo, Zé fez o certo. Precisava mais do que nunca manter a compactação e Diego vinha de uma grande sequência de jogos, sem pré-temporada e por mais que se doe em campo e corra muito, com certeza não aguentaria o jogo todo e ainda corria risco de “estourar”.

Zé fez o certo e tornou nossa desvantagem em vantagem. Com um a mais, em casa com torcida única e tudo teoricamente a favor, o Palmeiras tinha obrigação de ir para cima do Flamengo, e jogar com o resultado que não é o favorável em certa altura da partida é um dos principais defeitos do Palmeiras de Cuca, especialmente quando enfrenta defesas eficientes no jogo aéreo.
O clube mandante praticamente não colocou a bola no chão e limitou-se a alçar bolas e bolas dentro da área, seja de bola rolando, escanteio, em faltas e até mesmo em cobranças de lateral e mais uma vez Réver e principalmente Rafael Vaz, foram GIGANTES durante a partida. (Salvo um “vacilo” de Réver que ao sofrer falta, perdeu dentro da área para Gabriel Jesus, que saiu cara a cara com Alex Muralha, que fez uma grande defesa.)

Gabriel matou contra-ataque do Flamengo, lance "de manual" que justifica cartão amarelo. Moisés deu cotovelada em Everton e já havia feito falta dura em Damião. Fora a simulação de Dudu, que não foi punida com cartão amarelo.

E foi assim. O Palmeiras tinha a bola, mas não ameaçava o Flamengo, que tinha o campo do rival todo para aproveitar algum contra-ataque ou vacilo palmeirense, como fez. Everton que fazia um mau jogo tecnicamente, conseguiu na raça uma jogada e tocou para Alan Patrick que acabara de entrar na vaga de Gabriel e literalmente em seu primeiro toque na bola, marcou para o primeiro gol do Flamengo. A desvantagem consolidou uma vantagem, que poderia se tornar vitória se o Flamengo. Mas ainda temos um problema que ao meu ver é muito grave.

Não conseguimos definir a partida, fechar o caixão e jogar a última pá de cau. Por mais que joguemos bem, que chutemos muito ao gol de nosso adversário, parece que o Fla só acerta o gol quando o jogo está empatado ou quando está em desvantagem. As únicas partidas que vencemos por dois gols, foi contra Coritiba e Chapecoense. Em ambas o segundo gol de vantagem saiu nos acréscimos da partida. No mais, uma bola vadia, como o empate de Gabriel Jesus poderia estragar uma bela atuação.

Perdemos algumas oportunidades com o jogo 1x0. A destacar uma bola que Everton recuperou na raça, cruzou um pouco forte para Alan Patrick que dominou e não viu, ou optou por não tocar para Leandro Damião que vinha de trás, totalmente livre quase na pequena área. Mas o autor do gol rubro negro se precipitou, ou empolgou diante da chance de fazer dois gols de maneira tão rápida e acabou isolando a bola.

Mesmo assim, o jogo começou com a mesma cara. Palmeiras tentava e pouco levava perigo. Até que em um dos inúmeros laterais, a zaga do Flamengo corta duas vezes, mas pela primeira vez o jogador a menos fez falta de forma relevante na partida. Com um a menos, acabava faltando algum jogador na sobra, justamente uma das grandes qualidades de Márcio Araújo, que é pegar esses rebotes. Moisés cobrou lateral, a zaga do Fla afastou, mas a bola caiu nos pés justamente de Gabriel Jesus, o jogador diferente que poderia decidir. Ele cortou Pará e deu um chutaço, sem chances para Muralha.

Jogo empatado, torcida empolgada e algum tempo de jogo para virar a partida com um jogador a mais. E sabe o mais surpreendente? O jogo continuou praticamente igual. O time do Flamengo mostrou novamente ser um time extremamente maduro, que não se abate nas adversidades. Parece que todos os jogadores sabem exatamente o que precisam fazer para alcançarem o objetivo final e isso é mérito claro dos jogadores, mas principalmente de Zé Ricardo, o grande destaque da partida de quarta.

Mexeu certo tirando o craque do time, bateu no peito sem medo. Porque sabia que aquilo era o que ele achava certo, que de fato era. Colocou Alan Patrick quando viu que o Flamengo estava tendo chances de vencer e com uma pitadinha de sorte, seu suplente fez o gol em seu primeiro toque na bola. Jogadores contestados que ele mantém e aposta mostraram resultados em diversos momentos. Não importa quem jogue, o Fla mantém um bom padrão de jogo, oscila pouco e quando oscila, consegue os resultados na base da raça, diferente de momentos nem tão distantes, como na derrota de 4x0 para o Corinthians, onde um gol do rival, em uma partida que estávamos melhor desestruturou totalmente a equipe. O Flamengo hoje é Flamengo! Um time de coragem, que apesar de nos matar, maltratar e arrebatar de emoção no coração, será campeão se continuar jogando dessa maneira. Com qualidade e vontade.

O cheirinho continua forte!

SRN

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