terça-feira, 13 de setembro de 2016

Recuar: Genialidade ou displicência?


O Flamengo faz uma campanha parecidíssima com a que o Corinthians fez em 2011. Resultados magros, mas com o time objetivo, que mantendo a regularidade até o final do campeonato, se tornou o campeão brasileiro daquela edição. Uma das características marcantes daquela equipe era recuar. Se fechar todo na defesa tendo o resultado a favor, e é isso que o Flamengo vem fazendo desde que o Zé Ricardo assumiu a equipe. Corremos risco e sofremos pressão em quase todos os jogos no final, mas isso está dando certo. Recuar seria a melhor opção? Clique em leia mais para descobrir!


Quarta, diante da Ponte, o Flamengo fez um dos seus jogos mais objetivos do ano. Precisou de uma bola aos 13 do primeiro tempo e uma aos 44 do segundo pra matar o jogo. Quando o jogo estava 0-0, só deu Flamengo. Porém, nos outros momentos, a Macaca teve boas oportunidades e alguns gols desperdiçados, mas insistiu e conseguiu empatar com Potker nem contra-golpe mortal. O time se assustou, mas voltou a tomar uma atitude ofensiva. Pressionou muito até os 45 da segunda etapa, quando saiu o gol do Fernandinho, garantindo a vitória Rubro-Negra.

A retranca traz alguns dados positivos e outros negativos. O time ganhou apenas 3 das 14 vitórias por mais de um gol de diferença,  o que faz o time ter o pior ataque dentre os 6 primeiros. Em compensação, o Flamengo tem a quarta melhor defesa da competição, com 24 gols sofridos, ficando atrás apenas do Corinthians, Santos e Atlético Paranaense. Esses dados mostram uma certa efetividade do time, já que está a apenas 1 ponto do líder, que tem um saldo consideravelmente maior.


Por outro lado, alguns jogos não saem da cabeça do torcedor, como essa da foto. o Flamengo ganhava o Botafogo por 3-1, recuou de mais e acabou tomando o empate, mesmo tendo dominado grande parte do jogo. E quando o empate não vem, a conta acaba sobrando pro coração do torcedor. Partidas como contra a Chapecoense e América Mineiro, equipes teoricamente mais fracas, foi de pressão até o final a equipe adversária. Chegaram muito perto de empatar o placar, mas o time conseguiu segurar, o que mostra um certo controle e segurança do sistema defensivo.

De certa forma, o Flamengo conseguiu virar partidas importantes, como no primeiro turno contra a Ponte e mais recentemente, contra o Vitória, o que mostra que o time possui mais de uma forma de jogar, e não se desespera tanto como no início do trabalho do Zé. E é válido salientar que não é em todos os jogos que recuamos de forma arriscada, a partida contra o Vitória é um exemplo disso. Também podemos lembrar que é uma coisa totalmente normal retrancar quando se está ganhando.



Vale lembrar também que o Zé já conseguiu um título nacional nesse ano jogando da mesma forma. O Flamengo campeão da Copinha 2016 custava pra ganhar por 2 gols de diferença e sempre tomava uma pressão no final do jogo. E também se comportava bem com placares adversos, vide a final contra o Timão, na qual o time perdia por 2-0 mas conseguiu empatar e levar o título nas penalidades. 

A equipe que tinha Paquetá e Vizeu se sagrou campeã do mesmo modo que o Zé Ricardo faz o Flamengo se comportar no Brasileirão.
Alguns dados:

Dos 14 jogos no brasileiro que o Flamengo saiu na frente, conseguiu segurar a vitória em 12 deles. Apenas não obteve vitória no empate contra a Chapecoense e o Botafogo. Ou seja, o time tem uma certa segurança na zaga. Réver e Vaz fazem um excelente trabalho unidos à boa fase do Pará e à segurança que Jorge e Muralha passam pro time

O time também conseguiu apenas duas vitórias de virada nessa competição, contra a Ponte e Vitória, o que mostra que não é negócio que o time saia atrás no placar.

O time tomou 8 gols após os 30 da segunda etapa, mas esse número foi alavancado pela goleada sofrida pro Corinthians. Com esses gols, o time perdeu apenas 3 pontos, o que não chega a ser um número tão expressivo.

Com esses fatos, conseguimos visualizar que o pior de recuar é o susto pelo qual passamos, pois até agora, a tática do Zé Ricardo vem dando certo. Já somamos 14 vitórias e a grande maioria delas foi na base do recuo. Esse pode não ser o espírito do Flamengo, mas no meio do futebol moderno, vem consagrando várias equipes.

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