segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Análise Pós-Jogo | Atlético-MG 2x2 Flamengo | O mesmo erro

Num mundo que se discute tanta política, uma das principais coisas que se deve ser aprendida é não tentar defender o indefensável. E obviamente isso não é diferente para o futebol. Muito provavelmente por inexperiência, nesse sábado Zé Ricardo errou, e errou feio, mas pior do que isto, é que foi um erro reincidente, ou seja, não foi a primeira vez.

E o grande problema de Zé Ricardo, como todos sabem, foram suas substituições. A entrada de Alan Patrick, principalmente, foi um grande equívoco do técnico rubro-negro. Mas ao contrário do que muitos pensam, o erro de Zé não foi tentar recuar o time, porque não parece essa sua intenção.

Ora, quando se coloca um meia mais articulador no lugar de um ponta que muito auxilia na marcação, sua intenção é claramente buscar controlar mais o jogo e facilitar o toque de bola. O problema, na verdade, é que é impossível controlar um jogo contra uma equipe desesperada. O Galo com toda a certeza jogava na base do desespero, e não iriam ceder facilmente a posse à equipe do Flamengo simplesmente porque qualquer resultado diferente da vitória, para eles, seria um mau resultado em casa, tendo o Santos na cola. Eles jogariam no famoso "abafa", pressionando lá na frente, não importa o quão ofensivo o Flamengo tentasse ser, e a alteração de Marcelo Oliveira que colocou em campo Lucas Pratto mostrava isso.

Entendam que simplesmente não é um caso de "covardia", mas sim um erro de escolha, erro de análise por parte do treinador. Era muito mais fácil ter mantido os pontas, e por pontas não digo necessariamente Fernandinho e Gabriel, mas jogadores com capacidade de recomposição e que possam além disso servir como válvulas de escape, explorando o próprio desespero dos mineiros, que de forma desorganizada, subiriam ao ataque a partir dos 30 minutos de segundo tempo, esquecendo que possuem uma lenta dupla de zaga.

As primeiras vezes que Zé cometeu esse exato erro foi nos jogos contra Botafogo, no 1º turno, e Sport, no 2º, onde eram jogos que claramente deveria se buscar um estilo de jogo mais reativo, em vez de tentar controlar. E ai quem diga que naquele jogo contra o Botafogo, colocar mais um volante significava, na cabeça do Zé, aumentar a proteção à defesa e se "retrancar", quando ele mesmo disse em entrevista que buscava preencher o meio de campo para ter mais superioridade numérica naquele setor e conseguir tocar melhor a bola. O erro ali foi o mesmo, mas adicione o fator "gramado ruim da Ilha" ao pacote, e você terá sua resposta.

Há de ressaltar também a boa visão que teve Marcelo Oliveira na óbvia substituição que pôs em campo o ponta direita Luan. Claro, era esperado, mas foi um dos principais fatores para a tomada do controle da partida pelo time do Galo. Além do já dito desespero, Luan melhorou a marcação no lado direito, coisa que não estava sendo feita por Cazares, o que possibilitava no primeiro tempo que Jorge subisse para criar vantagem. E era notável que Fernandinho sempre buscava o espaço entre o zagueiro e o lateral-direito, isto porque o lateral se preocupava bastante em bloquear as subidas do Jorge (que não possuía nenhum outro marcador) e abria bastante, criando esse espaço. Entretanto, isto ainda não é motivo para desculpar o Zé, principalmente minimizar os erros cometidos por ele, afinal, é necessário se elogiar o adversário por seus acertos, seja ele quem for.

E ao torcedor, é preciso acreditar, por mais difícil que seja, ainda temos chances. Mas o principal é saber que o nosso time está no caminho certo, e já voltamos ao cenário dos melhores, e a partir de agora só temos a crescer.

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