segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Análise Pós-Jogo | Flamengo 3x0 Santa Cruz | Pequenas mudanças, grandes diferenças



No último pós jogo sobre o jogo entre Flamengo e São Paulo foi criticado bastante a postura do Flamengo e como estávamos nos tornando "manjados", principalmente na parte tática. De alguma forma os times conseguíam ler nosso jogo e diminuir a efetividade de alguns dos nossos jogadores. Diego, Everton, Willian Arão e até Marcio Araújo acabaram sofrendo por causa disso, diminuindo um pouco o nível daquilo que já conhecemos. Com isso, acabamos fazendo partidas medíocres, inclusive a derrota para o Palestino.

Mas o que se viu ontem, na partida contra o Santa Cruz, foi bem diferente das últimas partidas, um time envolvente, com bastante volume de jogo, dominando a partida, a todo momento conseguindo criar perigo ao gol adversário. Esse é o time que estamos acostumados a ver desde que Zé Ricardo assumiu, e o treinador Rubro-Negro percebeu que era necessária uma mudança, e mais uma vez brilhou a estrela de um grande profissional.

O mais surpreendente é que nem foram mudanças tão significativas assim, afinal não se mudou o esquema do time, nem a formação, nem o plano de jogo, nem a filosofia, nada muito geral, mas é interessante notar que uma mexida pequena acarreta em muitas coisas diferentes, é como um Efeito Borboleta. A única mudança efetivamente feita foram duas pequenas alterações: a aproximação maior dos pontas na zona central do campo, deixando o trabalho de dar amplitude especificamente aos laterais, que quase sempre tinham liberdade para partir, e a presença de um Centroavante mais fixo que dá maior profundidade ao time e mantém a defesa adversária em uma zona mais recuada, buscando impedir com que a equipe nordestina pressione no seu campo de ataque. Isso sem falar que Vizeu tem estado, em média, bem melhor do que Guerrero, e é necessário que se dê confiança ao jovem.

É preciso se comentar que nem tudo foi perfeito. Houve erros principalmente até minutos antes do primeiro gol. O Santa Cruz, mesmo com menos posse de bola, conseguia marcar a intermediária ofensiva do Flamengo, que apenas podia trocar passes entre os zagueiros, não conseguindo executar passes em profundidade para buscar uma jogada mais perigosa. O principal erro era o espaçamento entre os jogadores na saída de bola, o que distanciava os apoios, e o jogo posicional desejado por Zé Ricardo demorou a se encaixar, por isso o Flamengo não conseguiu ter um grande volume de jogo durante os momentos iniciais, mas quando conseguiu aplicar seu jogo, logo fez o gol.

Jogo posicional proposto por Zé Ricardo. Esquema um tanto assimétrico, mas que funcionou com a aproximação de Everton e com Diego buscando mais o jogo. Além disso, Vizeu tem 3 ligações, o que significa 3 possibilidades de passe em profundidade, sem contar as ligações diretas, os cruzamentos e as infiltrações de Arão, aumentando a imprevisibilidade do ataque.
A estratégia da equipe tricolor era de deixar o Flamengo sair jogando entre sua defesa, mas apertar a marcação quando a equipe carioca passasse do meio de campo, buscando um erro de passe para sair em velocidade, principalmente pelo lado esquerdo, com Keno. A forma mais eficiente para quebrar essa marcação é a partir da aproximação dos apoios (jogadores mais próximos ao que está com a bola) e um jogo posicional (formação de triângulos, assim como na imagem acima) bem feito para dar diversas linhas de passe para os jogadores que tenham a bola, com isso, tenham mais opções de passe para se livrar da pressão rapidamente sem se "livrar da bola". A troca constante de posição entre Alan Patrick e Éverton também foi algo muito positivo, já sem alterava a forma com que o Flamengo atacava por cada lado, isso acabou confundindo o jogo do Santa, o que inclusive deu liberdade para as subidas de Marcio Araujo em dois lances em sequência. Por sinal, mais uma excelente partida do camisa 8, para alguns (não para mim) o melhor em campo.

A presença de Everton mais no meio também potencializou seu jogo, uma vez que ele não se limitava mais a apenas pegar a bola, ir ao fundo e cruzar, dando mais liberdade para ele fluir seu jogo e executar suas jogadas. De fato, Everton funciona melhor quando mais centralizado, pois tem velocidade e uma boa leitura de jogo, geralmente se posicionando nos lugares certos, embora tome muitas decisões erradas, o que foi minimizado no jogo de ontem. Individualmente, a se elogiar também a incrível exibição de Réver, que tirou todas as bolas que a ele foram exigidas, com ótimas estatísticas de 5 interceptações, 5 cortes importantes, 2 desarmes e 3 disputas aéreas ganhas.

Apesar de tudo isso, o que mais comove é a persistência, a garra de todo esse elenco, todos abraçaram o objetivo e estão indo em busca de concretizá-lo, porque, depois de muito tempo, temos um bom elenco, temos alguns excelentes jogadores e, como novidade, temos um grande técnico, e que ainda tem muito a mostrar.

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