quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Crítica à Coluna do Flamengo: "Lá vem mais um reserva"

O Papo da Nação não foi criado com o intuito de atacar diretamente às páginas que falam sobre os Flamengo para usar de escada, e não quero que isso seja passado aqui neste post, mas nessa semana eu li algo que bastante me chocou e eu percebi os comentários negativos lá na página da Coluna do Flamengo. A mensagem aqui é muito maior do que qualquer briguinha de internet. 

Antes de qualquer coisa, quero que saibam que é a página que mais acompanho sobre o time, pois é a página que melhor filtra as notícias de sites confiáveis e passa aos seus leitores, numa boa interface e uma ótima organização, coisa que tem de ser muito elogiada aos colaboradores do blog. Mas ainda há um erro gravíssimo para uma página do tamanho da coluna, uma página que devia prezar por posts bem pensados e bem argumentados, acima do pensamento fechado de um torcedor qualquer.

Eu digo isso porque aqui no Papo da Nação nos preocupamos bastante em sempre passar ideias com fundamentos, mas acima de tudo, conhecimento sobre o assunto. Inclusive ninguém aqui nunca fez uma análise pós-jogo sem ver o jogo por completo, e isso nem é tratado como bônus do blog, mas como uma obrigação nossa. Sabemos quem tem capacidade para o quê, e deixamos os posts filosóficos para o Salotti, que é excelente nesse assunto, enquanto eu faço as análises táticas, geralmente, e mais alguns outros fazem posts com um tom mais específico. Sempre foi necessário para nós que a pessoa que falasse determinado assunto, soubesse realmente do que está falando, e temos uma boa base de pessoas com conhecimento sobre o futebol.

O problema de tudo, é que não é a primeira vez que pego um post da coluna com análises que parecem ter sido feitas por um torcedor de bar, um simples "muda de formação porque essa não está dando", "é só tirar esse jogador", "esse técnico só sabe se defender", coisas que nem sempre são verdadeiras. Esse post com o título Lá vem mais um reserva é a mostra de uma mistura de várias dessas máximas, uma mais ilógica que a outra.

Nesse post, é dito sobre a contratação de Everton Ribeiro, talvez o melhor jogador dentre os rumorados para o ano de 2017 do Flamengo. No post, a partir de vários argumentos, ele busca dizer que o time com Everton Ribeiro não renderia nesse esquema, ou que ele seria reserva de Diego, já que Zé Ricardo insiste em sempre utilizar de pontas. Mas o que necessariamente é um ponta para o autor? Será que todo ponta tem que ser um jogador ultra-veloz? Será que só existe uma forma de ponta, que são como estes que estão no Flamengo atualmente, como Marcelo Cirino, Everton, Gabriel e Fernandinho? Além disso, os motivos de Zé Ricardo não escalar Mancuello ou Alan Patrick numa das pontas é muito simples, eles não rendem.

E ai de quem dizer que tudo é culpa do 4-3-3 porque nunca é culpa de uma formação, nunca foi, nunca será, mas sim de todo o conjunto, de todo o conceito. Um exemplo bem básico: não se aplica um 4-4-2 com duas linhas, o clássico 4-4-2 britânico, com dois meias bem abertos e atacantes pouco participativos na fase de criação, para se ter o controle do jogo, simplesmente porque o meio estará pouco preenchido e as opções de passe são menores, gerando acima de tudo inferioridade numérica no setor mais importante da posse de bola, que é o meio-campo, logo seu time perderá mais a bola. Mas e se esses meias de lado aproximarem mais, pelo menos um dos atacantes encostarem no meio e os laterais fazerem as opções de jogo abertas pra buscar opções em todos os setores do jogo? Mudou a formação? Não, mas o conceito em que esta formação é utilizada sim. O fato é que se bem utilizadas, todas as formações são boas e todos os esquemas são falhos, cabe ao treinador decidir o que mais se adapta a ele e ao conjunto, e o que mais é compatível, e isso não tem absolutamente nada a ver com o jeito de jogar.

Ou seja, além de o autor ter errado feio na posição de Everton Ribeiro, que nos melhores momentos de sua carreira jogou como meia-direita, e nunca foi um "10 clássico", cometeu o grande erro de dizer que teria de se mudar de esquema para adequá-lo ao time, comparando-o com Mancuello e Alan Patrick, dois jogadores que por muito fogem da comparação com o ex-cruzeirense. Volto a repetir, o problema fulcral é o compartilhamento do desconhecimento, principalmente por meio de uma mídia que tem bastantes seguidores e leitores frequentes. E a crítica não é direcionada a este post, somente, mas vários outros que já vi na página.

E aos leitores, precisamos ficar mais atentos às opiniões diversas, não engolir como se fosse uma verdade, mas criticar, pensar, discutir e tentar achar um ponto correto, mas claro, sempre com conhecimento, com bagagem a partir do estudo, a partir da análise e, também - por que não? - da reflexão.

À coluna, se esse texto chegar, peço desculpas se pareceu um ataque pessoal, realmente não foi minha intenção, mas espero ter conseguido passar a mensagem, e acho que seria bom, não necessariamente a partir do meu texto, compartilhar a ideia. Temos que conhecer para compartilhar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário