sábado, 29 de abril de 2017

Memória Rubro-Negra: FlaxFlu da final do Carioca de 1991

Não há clássico mais charmoso que o FlaxFlu, não há clássico com um nome tão legal (vai lá, tudo bem "grenal" também é um nome legal), não há clássico mais carioca e não há clássico mais poético que esse, cortesia principalmente de Nelson Rodrigues. Afinal, que outro clássico teve seu início 40 minutos antes do nada? E é por isso, e aproveitando a especialíssima final desse domingo, que iremos iniciar nossa nova série falando de um FlaxFlu especial, a última vez que as duas equipes se cruzaram numa final de Carioca. E não foi em 1995...

Durante 26 anos o Campeonato Carioca não teve o privilégio de ter um Flamengo e Fluminense na sua final, obviamente o amigo leitor pode questionar: "Mas parceiro, de 95 pra 2017 não são 22 anos?". Sim meu caro, são 22 anos, mas a "final" de 95 não foi uma final propriamente dita mas sim o último jogo de um octogonal. A última final de Carioca envolvendo um FlaxFlu foi em 91, em dois jogos, e chamamos você para relembrar conosco o primeiro:

Antes, se é preciso nos colocar no contexto da época: o Fluminense tinha sido o campeão do primeiro turno do campeonato, a popular Taça Guanabara com 19 pontos*, com o Flamengo sendo o vice com um ponto a menos. Na Taça Rio o Fla empatou em pontos com o Botafogo, ambos com 19*, o regulamento previa um jogo-desempate e time rubro-nego fez sua parte, vencendo por 1 a 0 com gol do saudoso Gaúcho. Flamengo campeão invicto da Taça Rio. Em tempos de regulamentos menos esdrúxulos, a final deveria ser entre o Campeão da Taça Guanabara e o Campeão da Taça Rio, ou seja, teríamos FlaxFlu na final.

O Flamengo vivia bom momento no pós-Zico com um time que continha a talvez segunda melhor geração já saída da base Flamenguista (e a mais mal aproveitada) com Nélio, Júnior Baiano, Marcelinho, Djalminha e Paulo Nunes, jogadores da geração anterior da base como Zinho, jogadores de rodagem como Gilmar e o regente e ídolo-mor da equipe, o "vovô garoto" Júnior, que há dois anos no clube, tinha vindo da Itália de volta para Gávea motivado pelo seu filho Rodrigo. O (então) menino de tanto ver uma fita dos lances do pai com o manto rubro-negro, começou a questionar quando o veria de novo jogando no Maracanã. Graças aos deuses da bola, o bom Leovegildo resolveu atender os desejos do rebento. Essa mesma base tinha sido campeã da Copa do Brasil um ano antes e seria campeã brasileira no ano seguinte, timaço.

O Flamengo foi ao jogo com Gilmar; Charles Guerreiro, Gotardo, Júnior Baiano, Piá, Uidemar (depois Marquinhos), Júnior, Nélio, Zinho, Paulo Nunes (depois Marcelinho) e Gaúcho. Alinhados pelo mito Carlinhos.
O Fluminense com Ricardo Pinto; Carlinhos Itaberá, Sandro, Júlio Alves, Marcelo Barreto; Pires, Marcelo Gomes, Ribamar (depois Marcelo Ribeiro), Renato Laércio; Bobô e Ézio. Alinhado pelo ex-zagueiro e atual comentarista Edinho.

Indo para o jogo, num Maracanã com 43.718 flamenguistas e tricolores foi o time das Laranjeiras que começou melhor: logo a um minuto de jogo Bobô cabeceou e Gilmar só precisou segurar. O Fluminense chegaria outra vez com perigo em bola cruzada na área que Ézio cabeceou pra fora, o Fla chegaria assustando em cabeçada de Gaúcho que Ricardo Pinto colocou pra escanteio. Entretanto, quando o Fla parecia equilibrar as ações o Fluminense fez seu gol: aos 20' , Pires foi desarmado na entrada da área, a bola sobrou para Bobô que foi derrubado por Júnior Baiano de tesoura (já dando mostras de sua "marca registrada") dentro da área. Pênalti. Ézio bate no cantinho esquerdo do gol. 1x0 Flu.

Mas o Flamengo não se deixou desanimar pelo gol adversário, muito pelo contrário: dois minutos depois, Júnior cobrou falta pra esquerda da grande área, Gaúcho jogou de cabeça pro meio da bagunça e o baixinho Paulo Nunes, apenas observado pela defesa tricolor, subiu sozinho pra cabecear direto pro gol. FlaxFlu empatado. O Flamengo ainda teve boas chances, mas o placar ficou igualado na descida do intervalo.

Na volta do segundo tempo o Flamengo continuou a pressionar, praticamente só dava Flamengo no jogo. De fato, com exceção de dois lances com Ézio e Renato, o Flu pouco ameaçou a meta de Gilmar. Apesar da insistência e pressão Rubro-negra, as constantes finalizações não tinham a precisão necessária, e quando tinham eram defendidas por Ricardo Pinto, em grande exibição. Paulo Nunes, Gaúcho, Gotardo, Nélio e Júnior; todos tentaram mas o placar não mudou mais: Flamengo 1- Fluminense 1.

Apesar da insistência flamenguista a final teria que ser resolvida no segundo jogo. E dessa vez, teríamos um pouco mais de precisão dos jogadores rubro-negros, em um jogo que será relembrado semana que vem. Aguarde!

*.: A vitória na época ainda valia dois pontos, no primeiro turno o Fluminense jogou 11 jogos, venceu 8, empatou dois e perdeu um. No segundo, Flamengo e Botafogo nos mesmos 11 jogos tiveram 8 vitórias e 3 empates cada.

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