quinta-feira, 11 de maio de 2017

3 Volantes: A Comprovação da Não-Diegodependência.

Zé Ricardo e os "3 volantes".
12 de abril de 2017. O Maracanã estava em festa, Flamengo ganhando por 2x0, com boa exibição no primeiro tempo, especialmente de Diego, o maestro do time.  Num lance de azar, Diego fica no chão, e a euforia da vitória foi substituída pela preocupação. O meia sai machucado, e pergunta fica no ar: Como substituir o melhor jogador em atividade do Brasil? Se você estiver em nossa página inicial, por favor, clique no título do texto ou em "Leia Mais" para ler toda a análise.
Diego estirado no chão após a lesão.

Na partida seguinte, contra o Botafogo, válida pela semifinal do Campeonato Carioca, foi mostrada a solução para a ausência de Diego: o sistema com “3 volantes”. Logo de início, foi muito contestado. Alguns torcedores e jornalistas esportivos consideraram a escolha como uma opção simplesmente “defensiva”, visando não perder. Porém, o que se viu em campo foi um time muito bem equilibrado, controlando o jogo, com muita movimentação e triangulações ofensivas, além de ser consistente defensivamente.
Zé Ricardo optou por um sistema híbrido entre 4-3-3/4-1-4-1. Por que usar esse sistema? Para simular a participação de Diego. Diego enquanto meia armador participa em todos os lugares do campo, não fica preso à zona costumeira de um meia armador. É quase impossível achar um outro jogador que dê essa dinâmica ao time, o que se aproxima mais é o Conca, que ainda está em processo de recuperação, então, dividindo essa responsabilidade para dois jogadores do meio de campo, mais os laterais e Guerrero, o time consegue manter o ritmo de criação jogadas, além de se manter consistente defensivamente.
Um tema importante a ser definido sobre essa escalação é que não são 3 volantes. De fato, Márcio Araújo fica preso como um 1º volante, ele é responsável pela cobertura defensiva dos laterais, que tem muito mais liberdade para aparecer a frente, não com simples ultrapassagens, mas participando da construção, fazendo tabelas ou triangulações.  
As triangulações deixam mais fácil a criação de jogadas de perigo, pois a movimentação quebra a defesa adversária. Nesse caso, com a participação do Guerrero, bagunçou ainda mais, veja o espaço que Arão e Everton tem.
No outro lado também acontece, sempre com a presença de um ponta e um dos meio campistas. 
Já Arão e Rômulo funcionam como meio campistas, tem funções híbridas, e muito espaço para movimentação, tanto indo mais a frente para infiltrar-se na defesa adversária, tanto para recuar e participar da saída de bola com os zagueiros. É justamente essa movimentação (principalmente do Arão) que é o grande trunfo do sistema de Zé Ricardo, pois permite ao time estar sempre com maior número de jogadores no espaço da jogada, tanto no momento ofensivo quanto no momento defensivo. Providencia o que chamamos de superioridade numérica.
Note o número de jogadores perto da bola. Se quisesse, Rômulo poderia ter lançado Arão a frente também.
O Fator Guerrero:
Algo que catalisou a adaptação rápida do Flamengo para um sistema sem um meia armador fixo foi Guerrero. Ele começou a participar bastante da criação das jogadas, e também a funcionar como desafogo nos momentos em que a equipe está sendo pressionada. Ele tem inteligência para achar espaços onde é mais fácil para que o companheiro que está sendo pressionado lance a bola, desafogando a equipe. Além disso, tem uma técnica absurda para dominar os lançamentos e chutões, transformando jogadas que seriam perdidos em lances de perigo. A participação dele em campo é de “Camisa 9,5”, um misto entre um 10 e um 9.
Note como as movimentações de Arão e Guerrero criam um espaço enorme na zaga adversária. Além disso, excelente tapa de primeira do Camisa 9, ele faz a função do pivô com excelência.
Observe a participação enorme do Guerrero no meio de campo.
Dá para manter um sistema parecido quando Diego voltar?
Dá sim. Diego teve experiência no 4-1-4-1 com Tite, na seleção Brasileira. Ele pode jogar por dentro, ao lado de Arão, ou pelo lado do campo, como um ponta-construtor. De qualquer forma, ele teria uma carga defensiva maior do que a atual (Que fique claro, Diego contribui bastante no momento defensivo no sistema atual). O ponto a ser mais ajustado é alinhar a movimentação dele com a do Arão, a flutuação tem que ser bem ajustada, para o time permanecer compacto e conexo entre os setores.
O que temos que reconhecer é que Zé Ricardo foi muito feliz ao identificar a solução de um problema enorme. Manteve sua ideia, mesmo contestada, e conseguiu equilibrar o time mesmo sem a sua principal estrela, e ganhou o título do Campeonato Carioca. Além disso, mostrou poder de variação no sistema e estilo de jogo, algo que foi muito cobrado na temporada passada. Com os retornos de Diego, Ederson e Conca, o Flamengo deve ter muito mais qualidade para executar essa ideia de jogo que vem dando certo. Nos resta torcer e esperar pelo desempenho no Brasileirão, no resto da Libertadores e na Copa do Brasil. Entramos como favoritos em todas as competições pelo jogo consistente feito pela nossa equipe.

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