domingo, 7 de maio de 2017

Memória Rubro-Negra #2: FlaFlu - 2º jogo da final do Carioca 1991


Dias antes, o primeiro FlaFlu das finais do Campeonato Carioca de 1991 terminava empatado em 1 a 1, como relembramos aqui. O Flamengo precisava empatar para colocar a mão na taça e conquistar seu 23º título estadual. Alguns detalhes da primeira partida precisavam de conserto, como a efetividade e aproveitamento das finalizações rubro-negras. Após um jogo muito nervoso e empurrado pelos milhares de torcedores presentes no antigo Maracanã, o Rubro-Negro conseguia conquistar o Rio! Veja detalhes dessa conquista com a gente!


O Flamengo foi acampo com Gilmar, Charles Guerreiro, Júnior Baiano, Wilson Gottardo e Piá;
Uidemar (Marquinhos), Júnior, Nélio e Zinho; Paulo Nunes (Marcelinho) e Gaúcho, comandados por Carlinhos.
O Fluminense foi a campo com Ricardo Pinto, Carlinhos Itaberá, Sandro, Júlio Alves e Marcelo
Barreto; Pires, Marcelo Gomes, Ribamar (Marcelo Ribeiro) e Renato Laércio;
Bobô (Vágner) e Ézio, comandados por Edinho.

Já dava para perceber o parâmetro da partida em seus primeiros minutos: o Tricolor buscava chegar ao gol do Flamengo com toques rápidos e longos entre o campo de defesa e ataque - ou até com jogadas individuais - enquanto o Rubro-Negro acionava os lados do campo, principalmente a direita, onde Charles Guerreiro e Paulo Nunes faziam ótimo jogo coletivo e eram auxiliados no meio por Junior e Zinho. O nervosismo causado pelo jogo gerou oportunidades ao Fla. Algumas faltas na intermediária geraram cruzamentos perigosos para a área do Flu; uma dessas acabou na cabeça de Gaúcho, logo aos 6 minutos, que dessa vez mandou pra fora. Além disso, escanteios e bolas levantadas foram recursos utilizados pelo quadro flamenguista para tentar a finalização, visto que este conseguia cercar a área adversária com o toque de bola.

Aos 25, outra cabeçada perigosíssima de Gaúcho em escanteio cobrado por Junior. O gol do Flamengo amadurecia. Era um time melhor em campo, que controlava as ações. O ímpeto flamenguista era diminuído um pouquinho apenas por duas chegadas do Flu que acabaram sendo corretamente anuladas. Depois disso, aos 37, em uma das tentativas do Flu, Ézio recebeu cruzamento de Renato Carioca e foi incisivo: na primeira tentativa, cabeçada na trave; na segunda, foi correndo para pegar o rebote e conseguiu encobrir Gilmar. 1 a 0 para o Tricolor mesmo após um primeiro tempo melhor do Rubro-Negro.

O jogo mudou no segundo tempo: o Fluminense conseguia ser bem mais atuante no campo de defesa do Flamengo, equilibrando assim as ações da partida. Inclusive, quase que o placar foi ampliado: Renato Carioca recebeu ótima bola pela direita aos 8 do segundo tempo; foi conduzindo-a chegando à linha de fundo na marcação de Junior Baiano, mas aparentemente, preferiu chutar cruzado, fazendo com que a bola passasse rente à trave, mesmo tendo Bobô e Ézio chegando como opções dentro da área.

Dois minutos depois desse lance, uma infelicidade ocorre com o Flu: Bobô, um dos destaques do time, foi tentar girar ao receber a bola mas acabou fazendo o movimento errado, lesionando a si mesmo. Precisou sair. Logo depois da fatalidade, Zinho, pelo meio, aciona Piá pela esquerda, que cruza na área encontrando Uidemar, que pulou entre os zagueiros para cabeçar pro fundo da rede. Era o gol de empate do Fla!

O Fluminense sentia a saída de Bobô e o Flamengo retomava o controle da partida. Aos 16 minutos, outro acontecimento capital mudaria o rumo da final: Júnior tentou cortar para dentro em confronto com Carlinhos Itaberá, mas o lateral deixou a perna, fazendo falta dura no Maestro. Este já tinha o amarelo, ou seja, acabou tendo que ir para o vestiário mais cedo.

O Tricolor já sentia a inferioridade numérica. Aos 25, a bola caiu, de novo, nos pés de Piá pela esquerda, que mais uma vez cruzou com perfeição, dessa vez na mítica cabeça do Gaúcho. 2 a 1 para o Flamengo. Não deu nem para comemorar o gol que o Flu já recebia outro cartão vermelho: dessa vez Pires, que deu uma entrada violenta de frente para Júnior, mais uma vez a vítima, logo na saída de bola. O Clube das Laranjeiras demonstrava instabilidade emocional diante do resultado desfavorável e o Clube da Gávea só se aproveitava: aos 32, Nélio recebia na entrada da área mas recuava por não ter condições de chute. E então, Zinho chegou com uma verdadeira bomba para ampliar ainda mais o marcador: 3 a 1.

O Flamengo tentava mais, como sempre com Gaúcho de cabeça. O Fluminense, em contrapartida, acabou descontando com Ézio de novo em furada do Junior Baiano no cruzamento. Mas isso não abalou o Rubro-Negro, que já com o espírito de campeão, colocava um ponto final na partida aos 37 com Junior marcando o gol do título.

Uma efetividade absurda em finalizações (de cabeça, no mano a mano com goleiro, de longe, de tudo quanto é jeito) somada ao despreparo emocional do quadro tricolor culminou nessa conquista histórica do Flamengo. Naquela chuvosa noite de quinta-feira, flamenguistas por todo o mundo abraçavam-se com uma felicidade tremenda. Talvez não tão grandiosa quanto a que pode causar um abraço de pai e filho, como o que o Maestro Capitão deu encontrar o seu filhinho Rodrigo em meio a uma multidão de repórteres, causando assim um dos momentos mais emocionantes de sua gloriosa carreira.

Hoje, às 16h, Flamengo e Fluminense voltam a se enfrentar por uma finalíssima do Campeonato Carioca. O Rubro-Negro precisa apenas do empate para consagrar seu 34º título. Vamos torcer para que o Fla acabe campeão!!

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