domingo, 7 de maio de 2017

Experiência de Torcedor #1: "Meu primeiro Fla-Flu" com Brenda Almeida


Em minha primeira experiência no (agora, antigo) Maracanã, eu era muito nova. Tenho poucas lembranças daquele dia, nem a data ou ano me vem a cabeça. A tecnologia ainda era escassa/de pouco acesso para boa parte da população, então não tenho fotos ou registros (além da camisa que usei e guardo até hoje) desse que, apesar de poucas lembranças, foi e sempre será um dos melhores dias da minha vida.

Fui privilegiada ao ter a oportunidade do meu primeiro jogo no Maracanã ser o clássico mais charmoso do Rio. Primeiro jogo, primeiro clássico, primeiro Fla-Flu, no qual infelizmente perdemos por 3 a 2. Apesar das poucas lembranças, me recordo de subir as rampas do Maracanã cantando com a minha família "o Maraca é nosso, aha, uhu" usando minha camisa rubro-negra. Alguns lances vem à memoria, um pouco das arquibancadas, da torcida, do gramado e nitidamente a placa que marcava o placar da partida.

Mas algo que me recordo muito bem daquele dia foi do sentimento de estar presenciando meu time perder em minha primeira visita ao estádio. Na época eu mal sabia o que era o futebol em si. mas já ardia no meu peito o que era ser rubro-negro. Chorava desesperada, como se alguém tivesse morrido, e no colo do meu pai, me culpava pela derrota dizendo que não queria voltar para não dar mais azar ao meu time.

Saímos minutos antes do jogo acabar e apesar da derrota e do trauma que me acompanhou durante anos, ali tinha uma criança encantada pela mistica daquele lugar sagrado, admirando o templo do futebol com os olhos cheios de lágrimas, gritando por aquela rampa vazia: "o Maraca é nosso, aha uhu". E naquele dia, aflorou em mim, o sentimento de apoiar nas boas e nas más.

Meu amor pelo Flamengo nasceu comigo, pode ser clichê, mas essa é a única explicação que acho pra descrever a origem dessa paixão. Simplesmente sou Flamengo desde o útero da minha mãe e agradeço por essa ser a melhor herança que a minha família poderia ter me dado. E é o que eu quero deixar de herança para os meus filhos, essa paixão, esse amor incondicional pelo Mais Querido.

Nada mais importa. Nada é tão grande, tão importante, tão significativo ou mexa tanto comigo quanto esse sentimento, essa paixão inexplicável, que ouso dizer que seja o sentimento mais bonito e sincero que eu já senti até hoje. Por isso, por ter nascido com esse amor e o carregar no peito em cada momento da minha vida, é que sempre estarei contigo, Flamengo. Porque "o homem troca de casa, carro e religião. Troca de mulher, troca até de coração. Só não troca de time. O homem nasce, vive e morre Flamengo."

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