terça-feira, 13 de junho de 2017

Nossos problemas

Após a fatídica queda da Libertadores, muitos questionamentos foram feitos ao treinador Zé Ricardo, devido suas escolhas, o desempenho da equipe em campo, e tudo isso só se agravou nas primeiras rodadas do Brasileirão, tanto que um forte movimento para que ele fosse demitido surgiu. Pois bem, nesse texto vamos citar algumas hipóteses sobre o que fazer a respeito da equipe, pois é unânime que não podemos continuar nesse nível de atuação. Se você estiver em nossa página inicial, por favor, clique no título do texto ou em "Leia Mais" e confira toda a análise.

DEMISSÃO
Pois bem, começamos com essa hipótese, que ganhou muita força após o fraco desempenho e resultado péssimo diante do Sport. Aparentemente, Zé Ricardo não consegue mais tirar do time tudo o que pode, o time taticamente parece bem defasado, muitas vezes engessado em campo, com um toque de bola muito improdutivo. Conta para isso também a má fase de alguns jogadores que foram fundamentais no ano passado, como Arão e Muralha. Junto a isso, tem uma pressão enorme por bom futebol e resultados, devido à qualidade do elenco. Então algumas escolhas dele por jogadores que não estão nas graças da torcida sempre são contestadas.

As Opções:
- Dorival Júnior:
Recém demitido do Santos, Dorival aparece como melhor nome entre os Brasileiros. Vale lembrar que na sua única passagem pelo Flamengo, que foi entre julho de 2012 até março de 2013, Dorival foi demitido pela gestão “Bandeira de Mello”. Dorival teve muito sucesso nas suas passagens por Vasco, e, principalmente, Santos, onde seus times cheios de garotos jogavam um futebol leve e para frente.
Mas o problema a se prestar atenção sobre a escolha por Dorival agora, é que ele foi demitido do Santos pelos mesmos motivos pelos quais Zé Ricardo vem sendo cobrado. Exibiu um futebol muito vistoso, no fim de 2015, sendo vice-campeão da Copa do Brasil, e também na temporada 2016. Porém, nesse ano de 2017, o time caiu drasticamente de rendimento, acabou sendo eliminado precocemente no campeonato paulista, e, apesar de classificar o time para as oitavas de final da Copa Libertadores, foi demitido, justamente pelo fraco desempenho da equipe.
Cogitar Marcelo Oliveira seria enorme retrocesso, ele vem de trabalhos muito fracos no Palmeiras e no Atlético Mineiro. Qualquer outro nome seria uma aposta bem mais arriscada, que dificilmente seria bem aceito pela torcida.
- Treinador Estrangeiro:
Essa é outra opção, trazer um treinador de fora do Brasil. Essa escolha tem o benefício de trazer profissionais mais qualificados, a escola argentina de treinadores é uma das melhores do mundo, assim como a portuguesa, que são perfis de profissionais que podem ser atraídos pelo projeto do Flamengo. Treinadores portugueses e argentinos são os mais adaptáveis a diversos estilos de jogo, reativo ou propondo o jogo.
O ponto negativo sobre trazer um treinador de fora é a “adaptação”. Levará certo tempo para conhecer o elenco, características dos adversários, e fazer isso com a temporada em andamento pode ser muito demorado. Talvez o melhor nome seria Marcelo Gallardo, do River Plate, com Reinaldo Rueda do Atlético Nacional, e Sebastian Beccacece (Ex-auxiliar técnico de Jorge Sampaoli, atualmente no Defensa y Justicia) correndo por fora. Porém, é bem difícil tirá-los de seus atuais clubes, especialmente Marcelo Gallardo, que é considerado um dos melhores treinadores do mundo, e ídolo do clube Millionário, Becacecce seria o mais viável, porém tem pouca experiência como treinador principal, tem apenas dois trabalhos, na Universidad de Chile e no Defensa Y Justicia.

PRINCIPAIS PROBLEMAS DA EQUIPE
Independente da troca ou não do comando técnico, o time não pode continuar desse jeito. Esquema, peças, ímpeto, tudo tem que mudar. Primeiro, vamos discutir o principal problema do time: Como transformar qualidade técnica e posse de bola em ímpeto ofensivo?
O time em si está com as linhas muito espaçadas, os jogadores estão muito longe um do outro. É facilmente marcado, pois há pouca movimentação no meio de campo. O problema começa na saída de bola, que é lenta e previsível. O Flamengo tenta por muitas vezes fazer uma saída “Lavolpiana”, que é quando um dos volantes se posiciona entre ou ao lado dos zagueiros, para dar amplitude nesse primeiro estágio da criação de jogadas (você pode conferir mais sobre a saída Lavolpiana clicando aqui.) O problema atualmente está na sintonia entre os zagueiros e os laterais e meio campistas. A movimentação dos laterais e meias é pouco efetiva, eles permanecem presos à marcação adversária em vez de se aproximar da bola, o que dificulta para os zagueiros darem sequência à jogada. Eles trocam passes entre si, e, na falta de opção, saem no chutão.
A única saída de bola efetiva no Flamengo ocorre quando há uma movimentação interessante entre Trauco e Everton, quando o lateral corta vai para dentro do gramado, levando a marcação adversária com ele, abrindo espaço para que Everton apareça para receber a bola, o que também abre espaço no lado esquerdo do gramado para que Guerrero e Diego caírem pelo setor, o que já quebra o sistema de defesa adversária.
Encaixe inicial.
A movimentação desfaz o sistema adversário.
Então o que fazer para agilizar e tornar eficiente a saída de bola do time? Aproximar os jogadores, facilitando os “apoios”, e trabalhar as triangulações. Independente do sistema tático escolhido, essa saída em triangulações facilita bastante a construção das jogadas com a bola no chão. Após o volante ou lateral se aproximar dos zagueiros para a saída Lavolpiana, os meias e laterais devem se aproximar da bola, dando opções de passe para o defensor.  
A participação de Diego numa linha mais atrás da habitual, participando mais da criação, é fundamental para a construção de um "jogo apoiado".
Além da saída de bola, as triangulações devem ser mais utilizadas na construção de jogadas no meio de campo. O Flamengo tem graves problemas de movimentação ofensiva, o time é muito manjado, engessado. Faltam também jogadores que tenham capacidade mais efetiva de criar espaço na defesa adversária com dribles, no nosso elenco atual, os únicos que realmente tem essa capacidade são Vinicius Junior e Éverton Ribeiro. A maioria absoluta de nossos pontas são corredores, jogadores de contra-ataque, que precisam de bastante espaço para obter melhor desempenho. Realocando alguns de nossos pontas em outras equipes, e trazendo jogadores mais dribladores, como Geuvanio, adequamos o nosso plantel ao estilo de jogo proposto.
Por fim, a dificuldade que o Flamengo tem para converter as chances criadas em gol é irritante. Nossos atacantes têm bastante dificuldades para finalizar e tomar as melhores decisões nas jogadas de perigo. Mauro Cezar Pereira, da ESPN, sugeriu a contratação de um “Griezmann mais Barato”, um segundo atacante ou ponta, complementar a Guerrero, com boa capacidade de finalização. Talvez possa ser Maicon “Bolt”, que foi especulado nos últimos dias. Ele tem força física e capacidade de finalização para superar laterais adversários, e até mesmo zagueiros.
Ranking da Razão entre número de finalizações e o número de gols marcados. Vaja como o Flamengo está mal.
Defensivamente, o Flamengo também enfrenta algumas dificuldades, principalmente devido à má fase de jogadores-chave, como Muralha, Arão, e até Rever, que teve falhas graves que resultaram diretamente em gols adversários. O principal defeito do SISTEMA TÁTICO do time é nas bolas paradas. Muitas vezes a marcação homem a homem escolhida é ineficiente, o que deve ser ajustado com a chegada de Rhodolfo. Outro problema que temos é na composição defensiva das nossas bolas paradas OFENSIVAS. A cobertura em algumas vezes falhou, como na final da taça Guanabara, ou no jogo com o Botafogo no Brasileirão, no lance que incrivelmente Roger perdeu o gol. Isso é facilmente resolvido, basta fixar um volante e um lateral mais atrás, e um jogador na sobra, próximo à área.
Outro ponto que o Flamengo poderia melhorar é num conceito chamado “perde-pressiona”, que é uma pressão sobre a posse de bola adversária, em vez de apenas pressionar o jogador que tem a bola, pressionar também quem pode receber o passe dele. Nos primeiros jogos da temporada, o Flamengo executou esse conceito muito bem, mas nos últimos, deixou a desejar. Esse conceito requer muito treinamento, coordenação entre os nossos jogadores, afinal de contas, uma movimentação errada e todo o sistema pode ruir. Com um “perde-pressiona” bem executado, o adversário é sufocado o tempo todo, pois perdendo a bola ainda no seu campo de defesa dá margem para um contra-ataque mortal, e se vê obrigado a sair na ligação direta.

Agora, discutindo o esquema a ser utilizado, independente das peças:
- 4-1-4-1 e 4-2-3-1:
São sistemas parecidos, a função do segundo volante muda um pouco, mas nada muito gritante. O que tem de ser sintonizado aqui são as triangulações pelos lados do campo, com as ultrapassagens dos laterais.
- 3-4-2-1:
Seria uma grande mudança na maneira de jogar do Flamengo. Em entrevista a André Rocha, do UOL (que você pode conferir clicando aqui), Zé Ricardo admitiu ser fã do controle que Juventus impõe nos seus adversários, tanto com a posse de bola quanto com o jogo reativo. Muito desse controle vem do esquema de 3 zagueiros adotado pela Juventus. O Chelsea, campeão inglês, também usa um esquema de 3 zagueiros (talvez o melhor desenvolvido na atualidade, você pode conferir mais detalhes no ótimo texto de Eduardo Cecconi, clicando aqui), Jorge Sampaoli optou por um esquema com 3 zagueiros na Argentina. Esse esquema possibilita atacar e defender com muitos jogadores, além de muitas possibilidades de triangulação e ocupação de espaços no gramado. Quando Rhodolfo estreou pelo Grêmio, foi jogando num esquema de 3 zagueiros, com Werley e Bressan que ele começou a se destacar. Com Rever, Vaz (Leo Duarte), podemos fazer um sistema de 3 zagueiros bastante eficiente, com Trauco e Rodinei como alas, muita movimentação no ataque. É uma possibilidade para ser considerada com carinho. Lógico que tal mudança demandaria certo tempo para ser implementada, envolve muitos conceitos novos, movimentação diferente, mas vale muito a pena o teste.
USO DAS PEÇAS DO ELENCO:
É fato que, para os parâmetros de Brasil, o Flamengo tem um bom elenco. Que pode e deve ser ajustado, para corrigir algumas falhas, mas que possibilita várias possibilidades de maneiras de jogar. O que é aparente nesse momento de crise é que algumas peças estão rendendo muito mal, mas não são substituídas, talvez por falta de tempo para treinar com os substitutos, ou pelo treinador não enxergar no substituto capacidade para fazer a função que ele quer que tenha no time. O ponto é que alguns jogadores parecem acomodados, uma competição interna maior seria muito favorável a equipe, traria um esforço maior individual de cada atleta. Jogadores como Muralha, Arão, Vaz, Rever, Márcio Araújo, estão com performances bastante contestáveis. Além disso, o pouco uso dos jogadores oriundos das categorias de base decepciona, afinal de contas, temos um grupo de jovens muito talentosos em nossa base, também porque Zé Ricardo veio da base, a maioria esmagadora dos talentos já trabalhou com ele. Jovens como Ronaldo, Vizeu, Paquetá, mereciam mais chances. Um uso mais eficiente do elenco, combinado com correções táticas no nosso sistema, e com certeza estaremos no topo no fim do Brasileirão.
Alguns dos "Garotos do Ninho". Nossa base tem muitos talentos.
Vale destacar que para análises futuras, que é quase certo que o time vai melhorar, independente da troca ou não de treinador. A simples demissão vai contra a ideia da propagação de um projeto mais demorado, que é um ponto que estava presente no Plano Diretor estabelecido pelo Presidente Bandeira para o triênio de mandato. Os reforços estão chegando, e têm grande qualidade técnica, devem chegar e jogar, elevar o patamar da equipe, que já é bom. Além disso, Zé Ricardo já se mostrou um bom treinador, Aparentemente, ele e boa parte do time entrama em estado de choque após a eliminação na Libertadores. Mozer, Rodrigo Caetano e o Presidente tem que fazer com que recupere o foco, supere o baque e volte ao melhor nível do seu trabalho.
Para as próximas janelas, além de tentar trazer craques, a diretoria de Futebol deveria realocar alguns jogadores que já não tem mais nível para estar no Flamengo, e preencher seus lugares com jogadores da base. Só no sub-20 temos: Gabriel Batista, que é um excelente goleiro; Klebinho e Michael, dois laterais que ao mesmo tempo que são dinâmicos, são muito técnicos também; Hugo Moura e Jean Lucas, dois meio campistas de excelente técnica, especialmente o Jean; e, por fim, Lincoln, centroavante com potencial de ser craque, com técnica absurda para um jogador da posição. Todos eles devem subir no mais tardar no começo da próxima temporada, e já mostram qualidade para extinguir a possibilidade de contratarmos jogadores medianos, e sim irmos atrás de craques, com os quais eles mesmos podem evoluir e aprender mais.


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