terça-feira, 4 de julho de 2017

A Sul-americana não pode ser jogada pra escanteio


O Flamengo não tem moral internacional suficiente para deixar de lado qualquer competição continental.

A frase acima é pesada e revoltante, você leitor deve estar com vontade de me xingar, eu sei, mas não é nada menos que a verdade. O Flamengo diluiu quase que completamente seu respeito no continente por causa de uma série de eliminações vergonhosas na Sul-americana e Libertadores. Eliminações essas que nunca são de um modo aceitável - se é que uma eliminação de qualquer torneio pode ser aceitável - são sempre do modo mais dolorido, do mais vergonhoso. Vide a eliminação esse ano na primeira fase(mais uma!) da Libertadores, quando estávamos classificados até os 45' do segundo tempo. Se você está lendo isso na página principal do blog, clique em "Leia mais".


Todas essas eliminações precoces acabam por aumentar ainda mais a seca de títulos continentais do Flamengo. Que já são poucos. Na verdade em toda a nossa história foram apenas 3: a Libertadores em 81, a Copa Ouro em 96 e a Copa Mercosul em 1999. O último já tendo maioridade, 18 anos. Isso significa que toda uma geração de rubro-negros não viu seu time ser campeão de algum torneio internacional(eu incluso, que farei 19 anos no próximo mês e só tinha um ano quando o Fla foi campeão da Mercosul). Mesmo se formos falar apenas em chegar em uma final continental, a distância em anos também é grande: 15 anos. Quando no já longínquo ano de 2002 fomos derrotados pelo San Lorenzo nas penalidades. Daí pra frente, nem nas semis, seja da Libertadores(nessa não chegamos nas semis desde 84!) ou da Sul-Americana(que sucedeu a Copa Ouro e a Copa Mercosul) chegamos. É um tempo muito grande para um clube do porte do Flamengo.

Nosso último título internacional, vencido em jogo de placar "bailarino" contra o Palmeiras
O nosso último grande momento a nível continental foi nos anos 90, quando chegamos nas quartas da Libertadores, em 91 e 93. Quando fomos eliminados por Boca Juniors(de Batistuta, futuro vice daquela edição) e São Paulo(de Raí e Telê, futuro campeão daquela edição). No ano do nosso centenário ainda chegaríamos a final - treinados por Apolinho(ELE MESMO!!!)- da Supercopa Libertadores para perder o título no saldo de gols para o Independiente. Fora os títulos já citados. Podemos ver que até mesmo as eliminações e derrotas se davam de forma mais honrada. Contra grandes times com grandes jogadores ou de camisa pesada.

Dito isso, após a eliminação na Libertadores, o destino nos deu uma segunda chance de reverter um pouco esse mau retrospecto; com as duas competições continentais acontecendo simultaneamente e em toda a temporada, se tornou possível aos terceiros colocados na Liberta entrarem na Sul-Americana. Tal como acontece na Champions e Europa League. Temos uma chance de acabar com nosso jejum, cabe à nós aproveitarmos.

O adversário é o Palestino, time que representa a comunidade palestina no Chile. A minoria da minoria. Time que vale menos monetariamente que o nosso banco, nas palavras do próprio presidente. Um time com pouca tradição até mesmo no seu país.Veja, não é tentar diminuir a brava equipe chilena, é tentar colocar a distância de dimensões entre um time e outro. O Flamengo não pode achar aceitável sequer cogitar uma eliminação frente a uma equipe dessas. Que, lembrem-se, também nos eliminou de forma vergonhosa ano passado.

Muitos podem dizer que a Sul-Americana é uma série B continental, que não é um título tão importante assim. Mas temos que entender que se na "série A" continental a gente não consegue nem fazer uma graça, o negócio é ir na série B mesmo. Fora isso, ela dá ao vencedor a chance de disputar a Recopa no ano seguinte, o que poderia significar mais um título continental em nossa conta.

Não podemos dar de costas à essa competição como fizemos ano passado, não podemos dar margem para acontecer mais um vexame. Um título como esse poderia gerar uma reviravolta no nosso desempenho continental. Temos um elenco suficientemente bom para conciliarmos todas as nossas 3 principais competições para esse ano e brigarmos pelo título em todas elas.

O Flamengo não pode se dar ao luxo de deixar de lado a Sul-Americana. Temos que entrar nessa competição para ganhar.

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