sábado, 1 de julho de 2017

Memória Rubro Negra #4: Flamengo x São Paulo do Brasileirão 2009



A próxima rodada do brasileirão vai marcar o encontro de dois hexa-campeões brasileiros, detentores da hegemonia do campeonato como conhecemos. Jogos contra o São Paulo costumam trazer boas lembranças. O título da Copa dos Campeões em 2001, o gol de Ibson em 2007 que tirou mais de 20 jogos de invencibilidade do tricolor são uma delas.  

Mas em especial, toda vez que ouço o nome do São Paulo vem à cabeça uma partida: O jogo da afirmação de uma equipe que se tornaria campeã brasileira ao fim da temporada.  Depois de sete jogos de invencibilidade, com quatro vitórias seguidas no Maracanã (três por 3x0, respectivamente Santo André, Sport e Coritiba e outra por 2x0 no clássico contra o Fluminense, então lanterna do campeonato) o Flamengo, sem Adriano (a serviço da Seleção), Léo Moura e Airton (ambos por suspensão), tinha no São Paulo um grande desafio para saber quais seriam suas reais aspirações no campeonato. Uma vitória colocaria o Flamengo até sete pontos atrás do líder Palmeiras, adversário da rodada seguinte. Mas maior do que isso, um resultado positivo confirmaria que o clube seria um dos protagonistas do campeonato.

O jogo começou. O Fla mostrava o mesmo volume de jogo das partidas anteriores, mesmo diante de um forte São Paulo. As novas peças Álvaro e Maldonado mantinham o alto nível de atuação, comprovando que haviam caído como uma luva no esquema do técnico Andrade. Mas os maiores reforços, que o Flamengo pôde contar naquele momento da temporada, além de Adriano, já estavam no elenco desde o campeonato carioca. Mas deles a gente fala logo mais...

Como vínhamos recordando, o início de jogo foi animador. Boa troca de passes e chances criadas. As bolas insistiam em não entrar. Rogério Ceni fez boas defesas e o substituto do Imperador, Dênis Marques insistia em ser inoperante. E é como diz o ditado mais velho do futebol… quem não faz… e o São Paulo abriu o placar em uma jogada repentina. Um lançamento "do nada" de Dagoberto para Hernanes receber, dar um tapa de primeira parar driblar o goleiro Bruno e só rolar para o fundo do gol. São Paulo 1 x 0.

Tinha tudo para ser um balde a água fria, mas tanto o time quanto a torcida não pararam de de lutar e o Flamengo pressionou o tricolor paulista. Com direito a bola tirada em cima da linha por Renato Silva após chute de Juan. E a pressão foi até o último lance do primeiro tempo. Em falta na meio de campo, Petkovic conversou com Angelim colocou a bola na cabeça dele, mas Ceni fez mais uma boa defesa. O melhor, tinha que ficar para o segundo tempo.

O Flamengo voltou para o segundo tempo com Toró na vaga de Juan. Assim, Everton foi para a lateral esquerda e mudou o esquema do Flamengo que havia começado no 4-4-2 para um 4-3-3. A alteração parecia não ter dado certo. O time não conseguiu manter o ritmo do primeiro tempo e o camisa nove da equipe, Dênis Marques, conseguiu piorar o nível de atuação apresentado nos primeiros 45 minutos e logo aos 12 minutos do segundo tempo, deu lugar a Bruno Mezenga entrou para alívio da torcida.

Com a entrada de Toró no lugar de Juan, Willians foi para a ponta direita quando o Flamengo tinha a bola. Sem ela, ele voltava para marcar no papel de volante mais pela direita. Andrade utilizou esse esquema tático na maioria das partidas do Flamengo no segundo turno do Brasileirão

Estrela
Se alguém me falasse as entradas de Toró e Bruno Mezenga seria cruciais durante essa partida, provavelmente eu não acreditaria. Mas era o ano em que tudo deu certo, era o ano de Andrade, era o ano do Flamengo. Aos 16 minutos de jogo, Everton Silva cobra lateral para a área. Bruno Mezenga briga pela bola e escora para Toró, que vinha de trás. O carismático volante chega antes de Jorge Wagner, que ao tentar afastar, acerta em cheio em Toró, um chute que era para ser na bola. Pênalti, em jogada envolvendo dois jogadores que entraram no segundo tempo.

"Pet! Pet! Pet!"
Lembra quando eu falei sobre os reforços que já estavam no elenco? Com certeza você já deve ter lembrado automaticamente de Petkovic. O Gringo vinha fazendo boa atuação, mas ainda sem grande brilho. Ele foi o responsável por bater o pênalti que traria igualdade ao placar. Que traria… Pet desperdiçou a penalidade máxima. Depois de inúmeros quase-gols com bola tirada em cima da linha, um pênalti perdido daria aquela sensação de “não importa o que a gente faça, a bola simplesmente não quer entrar”. Mas como eu disse acima. No ano de 2009, deu tudo certo para a gente. O bandeirinha mandou voltar a cobrança. Por mais que Rogério tenha se adiantado, (como fazia em quase todas as cobranças de pênalti) esse tipo de lance dificilmente era marcado. Era o nosso ano.

Na segunda tentativa, Pet olhou para Rogério Ceni e cobrou com maestria e tranquilidade, como se não tivesse acabado de perder uma penalidade. De cavadinha, o sérvio empatou aos 20 do segundo tempo. Mas esse gol teve outro protagonistas, além do próprio Pet e de Toró (que sofreu a a falta dentro da área)... Everton Silva! Que também inspirou o gringo a dar uma das melhores entrevistas do futebol brasileiro.




E realmente… tudo deu certo! Na comemoração do gol, parece que o time do Flamengo ficou confuso. E em uma jogada brigada, Hugo aproveitou uma confusão na defesa do Flamengo e saiu de cara com Bruno. Mas o meia chutou a bola à esquerda do gol do goleiro rubro negro, perdendo uma chance inacreditável. A partir daí, o Flamengo passou a ter um pouco de dificuldade para atacar, mas também não era tão atacado. O jogo passou a ficar muito disputado no meio de campo, e lances de “perde e ganha” pelo setor não eram incomuns. Não é de se estranhar que a partida tenha terminado com 46 desarmes (30 para o Flamengo). Mas ainda falta falar do segundo reforço que já estava no elenco.

“Eô! Eô! Zé Roberto é o terror!”
Depois de quase ter sido envolvido em uma troca por Wellington Paulista junto ao Cruzeiro, Zé Roberto passou a receber oportunidades de Andrade e talvez, tenha sido o terceiro jogador mais importante da conquista do Flamengo. Além de ter jogado muito, o companheiro de Adriano no ataque desempenhava um papel tático importantíssimo. Voltava para marcar e ajudava na armação de jogadas. Isso sem falar de sua velocidade e habilidade que marcavam as características principais de seu jogo. Mas Zé Roberto foi primordial por outro motivo. Na ausência de um substituto levemente à altura de Adriano, o camisa 26 ainda fez o papel de artilheiro. Marcou em todas as partidas que Adriano desfalcou o Flamengo. E contra o São Paulo não foi diferente.

Após ficar alguns minutos sem assustar o São Paulo a partir dos 30 minutos de jogo, o Fla passou a atacar novamente com alguma desenvoltura, como um prenúncio de que o gol estava pra vir. Aos 35 minutos, Toró ganha uma bola no campo de defesa, que sobra para Everton Silva. Pressionado, o lateral manda para frente a bola que chega até Bruno Mezenga que dá um passe de peito digno de Imperador para Petkovic. O maestro dominou, trouxe para a canhota e dá uma passe açucarado para Zé Roberto tocar na saída de Rogério Ceni e dar números finais ao jogo, não antes de Mezenga quase coroar sua melhor atuação com a camisa do Flamengo em uma finalização acrobática após belo cruzamento de Willians, outro destaque da partida.

E assim terminou. Flamengo 2 x 1 São Paulo. Sem muitos sustos até o final do jogo que marcou a afirmação do hexacampeão brasileiro. 

Ficha do jogo

Flamengo (15 finalizações)
São Paulo (4 finalizações)
Bruno
Rogério Ceni
Everton Silva
Jean
Álvaro (72) +
Rodrigo
Ronaldo Angelim
Renato Silva
Juan (45)
Junior Cesar
Willians
Richarlyson
Maldonado
Zé Luís (83)
Petkovic
Jorge Wagner (82)
Zé Roberto
Hernanes
Éverton
Dagoberto (59)
Dênis Marques (57)
Washington
Tec: Andrade
Tec: Ricardo Gomes
Diego
Bosco
Wellinton (72)
Adrián Gonzales
Lennon
Oscar (82)
Toró (45)
Aislan
Erick Flores
Arouca
Maxi Biancucchi
Hugo (59)
Bruno Mezenga (57)
Borges (83)
 Gols: Hernanes, Petkovic (P) e Zé Roberto




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