terça-feira, 8 de agosto de 2017

A ascensão e queda de Zé Ricardo

A chegada de Zé Ricardo ao comando rubro-negro em 2016, foi o divisor de águas para o rumo do Flamengo naquele ano. De um time perdido com um enfermo Muricy Ramalho, eliminado para um clube da Série C na Copa do Brasil se tornamos uma equipe com um esquema e plano de jogo definidos e - na medida do possível - eficiente.

O terceiro lugar no Brasileirão mais as contratações de Rômulo, Trauco e Berrío alimentavam as esperanças dos torcedores a cerca de uma grande campanha na Libertadores 2017, ainda que a falta de opções na zaga preocupasse. Só que ela não veio. E mais uma vez passamos o vexame de sermos eliminados ainda na primeira fase da competição, perdendo todas os 3 jogos fora de casa o último - contra o San Lorenzo - com duas grandes entregadas de Matheus Sávio, garoto da base colocado por Zé num jogo perigoso, com altas chances de o queimar. O que aconteceu.

Já aí a diretoria teria motivos para o demitir, mas, corretamente, não o fez. Deu a ele respaldo e confiança, o esperado era que com todos os outros principais postulantes ao título ocupados com a Libertadores, a conquista do Brasileirão se tornava mais provável. Além é claro, dos reforços de alto nível como Rhodolfo e Éverton Ribeiro, que era o ponta articulador que o técnico tanto queria. Se esperava um Flamengo avassalador, se esperava evolução, mas ela não ocorreu.

Pelo contrário, a equipe a cada jogo que passava sofria uma involução, a estratégia de jogo ficava cada vez mais manjada, o Flamengo toca, toca e toca a bola rondando a área sem conseguir infiltrar, a bola chega em Diego ele passa para ER na direita, esse corta pra dentro, finge que vai tentar driblar, o lateral vem pelo corredor, recebe a bola e cruza pra área, Guerrero, que estava fora da área para tentar fazer o pivô, chega atrasado para disputar a bola com o zagueiro e a bola é rebatida pela defesa. Isso umas 10x por todo jogo. Para uma equipe com tanto material humano, talvez a com melhor poderio ofensivo do país, se limitar a mandar "chuveirinhos" para a área adversária deveria ser algo desnecessário.

Toda essa burocracia, falta de movimentação e fluidez no ataque rubro-negro, aliados a um meio-campo nulo e uma saída de bola porca fizeram uma equipe cuja a marcação para o adversário é muito simples: coloque alguém marcando duro Diego, quando Márcio Araújo pegar a bola o deixe sem marcação e foque em marcar as opções de passe; tenha zagueiros para rebater os incontáveis chuveirinhos; deixe os laterais avançarem e joguem nas costas deles.

Isso também passa muito por uma espécie de apego e fidelidade de Zé com jogadores de qualidade mediana para duvidável. Vaz e Márcio Araújo tinham sempre seus lugares no time titular garantidos mesmo com incontáveis erros nos mais importantes jogos.
O caso do volante aliás é emblemático: Zé o colocava como segundo volante ao lado de Cuéllar mesmo com o colombiano se dando melhor na função que o mesmo. Essa esdrúxula opção era totalmente deixada de lado na hora de sacar um dos dois do time. O técnico recuava de novo Márcio e tirava Cuéllar. E isso com jogadores com muito mais futebol para entregar como Rômulo e o promissor (e esquecido) Ronaldo. Difícil de entender, ainda mais com MA prejudicando o time na saída de bola, uma das especialidades de seus concorrentes.

A falta de critério também se estendia à outras posições, com jogadores mesmo indo bem sendo incompreensivelmente sendo preteridos, principalmente os da base. Um treinador que conseguiu sua fama por causa do excelente trabalho a frente do Flamengo na conquista da Copa São Paulo, acabou se notabilizando por deixar de lado de forma inexplicável jogadores da base. E ainda que falem em Vinicius Júnior, é bom ter o questionamento se se não fosse a etiqueta de 53 milhões o mesmo ainda seria escalado. E isso não duvidando do talento e potencial do garoto, mas sim da falta dos critérios de Zé Ricardo. Bom lembrar que Vizeu, centroavante promissor ficava atrás de Damião na ordem dos atacantes. Ronaldo, mesmo com todos os problemas na volância flamenguista recebeu raras chances. Paquetá, que sempre entrava bem, entrou num limbo durante alguns meses e também foi deixado de lado.

Mas é óbvio, essa teia de problemas não são culpa apenas de Zé: o Departamento de Futebol e alguns dos jogadores ajudaram muito. O planejamento de futebol que já não vinha bem, apenas piorou com a prisão de Godinho e com Eduardo Bandeira de Mello também assumindo o cargo. Isso porquê ao contrário de seu reconhecido conhecimento na área das finanças no que tende ao futebol o presidente do Flamengo aparenta não conhecer muito do esporte. Para piorar, soltou declarações afirmando que tinha jogadores "protegidos" no elenco.

A falta de planejamento se torna evidente na zaga, que possui um ex-jogador em atividade e outro de qualidade muito duvidosa para dizer o mínimo. Rhodolfo foi contratado e supriu nossa carência, mas logo se lesionou e voltamos a sofrer com a zaga que se fica falha com Vaz ao lado de Réver, torna-se demasiada lenta com Juan ao lado do capitão.
Isso para não falar nas contratações desnecessárias, como Geuvânio, que ainda me faz perguntar o porquê de sua compra mesmo com outros dois jogadores para sua posição.

Mas tudo isso poderia ser amenizado não fossem alguns erros individuais. Isso porque mesmo com o fraco futebol, o Flamengo ainda assim conseguia criar algumas chances claras, a maioria desperdiçada do pior jeito possível. É de se pensar: será que Zé seria demitido se Diego convertesse o pênalti contra o Palmeiras? Se o camisa 35 não tivesse perdido AQUELA chance contra o Corinthians? Fora outros lances claros em diversos outros jogos em que tropeçamos.

Zé Ricardo começou muito bem, nos deu esperanças mas infelizmente não aconteceu. Mas ainda é um técnico jovem, que numa equipe de menor pressão pode fazer a diferença, um grande profissional que não deve tardar a receber chances. Que tudo de melhor aconteça em sua carreira e que um dia ainda volte para a Gávea, mais maduro e evoluído e nos dê as alegrias que faltaram nessa passagem.

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