quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Memória Rubro-Negra #5: Fla x CAP da final da Copa do Brasil 2013


O roteiro não é idêntico. De forma alguma.
A perspectiva, em 2013, era “mais ou menos” positiva para o torcedor rubro-negro: a política econômica da nova gestão de alocar finanças para a negociação de dívidas foi parcialmente abraçada pelo torcedor. O grande problema, de fato, era o sacrifício que o futebol sofreria. O elenco montado para a temporada foi modesto e, aparentemente, sem grandes ambições.
Já não bastasse a previsão não ser das melhores, o decorrer da temporada trouxe ainda mais problemas que, se analisados friamente, eram iminentes. A falta de resultados no futebol brasileiro, por indução, gera rotatividade de técnicos. Essa prática influi no dia-a-dia das equipes, que precisam lidar, do nada, com uma nova filosofia, uma nova forma de enxergar o jogo. E foi um mal que o Flamengo teve que lidar em 2013: após 37 jogos (com 15 vitórias), em março, Dorival Júnior entrou em desacordo com a proposta de redução salarial do clube e foi desligado da comissão. Jorginho foi contratado e demitido 3 meses depois após o pior início de Campeonato Brasileiro do Flamengo desde 2001. Mano Menezes, depois, assumiu a equipe com otimismo e o próprio pediu demissão após derrota para o Atlético Paranaense no Campeonato Brasileiro. E foi nesse contexto que Jayme de Almeida, auxiliar técnico e interino, assumiu a equipe após a saída de Mano.
Uma mudança frequente de formas de contemplar o futebol e comandar um time. Um elenco longe de um patamar europeu em questão de qualidades individuais.
Os ingredientes perfeitos para uma temporada que, pelo menos, poderia passar em branco. Certo?
Errado.
É o Flamengo.
É uma história de amor em que torcida e time fecham independente das circunstâncias e formam, juntos, uma história de final feliz apesar de todos os apesares que causaram pavor, sofrimento, angústia durante uma trajetória nada fácil, durante a trajetória análoga à diversos momentos da riquíssima história flamenga.
É uma história que parece de filme. No ápice, quando os nervos estão à flor da pele e os heróis parecem não ter mais nenhuma fonte de resistência, é quando a torcida entra. Cantando, gritando, empurrando, chorando com os jogadores. Sempre foi assim e sempre será.
Conturbações no departamento, pelo menos dessa vez, não foram capazes de abalar o comprometimento do elenco que sim, era modesto, mas que tinha jogadores iluminados e que, com o fechamento da torcida, extraíram de si o melhor possível. Hernane, Elias, Paulinho.  Derrubando gigantes como Cruzeiro e Botafogo (que ficaram na ponta da tabela na temporada) e simplesmente chegando sorrateiramente até ter as duas mãos na taça.


O torcedor rubro-negro contou cada um dos segundos existentes entre 23h20 de 20 de novembro e 21h50 de uma semana depois. O espírito de final tomou conta do cotidiano carioca.
A remodelação do Maracanã não impediu uma linda festa. Festa essa que com certeza foi marcada pelo sofrimento de milhares em diversas oportunidades, que iam além de qualquer ansiedade pré-jogo.
O Templo do Futebol virou, certamente, um Templo Religioso, em razão das milhões de ave-marias que, com certeza, marcaram o pré e o pós do apito inicial.
Um enfarte diferente para cada tentativa de Luiz Antonio na primeira etapa. Sejam as duas finalizações de fora da área ou a falta cobrada que atravessou a barreira paranaense – totalmente adiantada, diga-se de passagem – e explodiu o travessão de Weverton.
A pressão que o Flamengo fazia gerou chances. Principalmente no segundo tempo, com Hernane dando indícios que a noite era dele.
Paulinho quase acabou com a final após receber um baita lançamento pela esquerda e aplicar um CHAPÉU em Cléberson. Mas concluiu explodindo a bola no zagueiro rival. Depois, foi a vez de recuperar uma jogada aparentemente perdida e tocar para Hernane mandar de primeira para ótima defesa de Weverton.
O grito de gol estava entalado na garganta. Claro, cantar até o final sempre foi e sempre será o comportamento instintivo do flamenguista de arquibancada. Mas o conforto, a maravilhosa explosão de realizar que seu time está prestes a conquistar um título nacional convertem milhões de emoções e imagens que se passam na cabeça e na garganta de todos no mais puro orgasmo totalmente extasiante.
Ao final do jogo, os tiros de todos os lados que atleticanos estavam tomando – uma pressão exuberante tanto da torcida quanto do time flamenguista – tornaram óbvio quem sairia com a faixa no peito. Mesmo assim, o grito ficou entalado até os 42, quando Paulinho, pela esquerda, tocou para Elias, no meio, livre, só chutou no contrapé de Weverton. O Rio de Janeiro, ou melhor, o Brasil entrou em festa: a maior torcida do mundo gritou, festejou. Uma recompensa. Um alívio sentido por entre a adrenalina que percorria o sangue rubro-negro por conta das circunstâncias.
Luiz Antônio, que tentou deixar o seu durante a partida, acabou recompensado com uma linda assistência a Hernane, que dentro da área, levantou a bola e chutou pro gol. Isso finalizava a partida e iniciava uma comemoração de mais um título com a cara do Flamengo: sofrido.


O roteiro não é idêntico. De forma alguma.
As dívidas estão em dia. Nosso elenco é badalado. Quer dizer, isso não impede de desacreditarem (ou pelo menos de secar) do Flamengo.
A temporada é boa e o departamento de futebol parece não estar lidando mais com tantas turbulências quanto antes.
Mas os 11 heróis e a torcida, que representam a fonte de suas energias, sempre estarão aqui. Independentemente de qualquer trajetória, quaisquer plot twists que o clube passe por sua história, estaremos aqui para gritar e apoiar. Sempre.

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