sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A geração perdida do Flamengo

O Flamengo é, de certa forma, um tanto quanto preso ao time nos anos 80. E não é pra menos: um time que jogava um futebol envolvente altamente vencedor e era composto em grande parte por jogadores oriundos da base rubro-negra como Júnior, Mozer, Leandro, Andrade, Adílio e o maior de todos, Zico. Se o slogan "craque a gente faz em casa" vale alguma coisa para o flamenguista, essa equipe é a maior responsável por isso.

Por isso, o torcedor do Flamengo fica sempre na expectativa que outra "fornada" de jogadores da base surja e leve o Fla à novas glórias. Porém, o que percebemos é que o mais querido já teve uma geração de jovens tão promissora e talentosa quanto a dos anos 80: Djalminha, Paulo Nunes e Marcelinho (depois "Carioca").

Talentos capazes de levar uma equipe às mais inesquecíveis conquistas. Bem, eles levariam, mas essa equipe não seria o Flamengo...

Não seria por conta de uma diretoria amadora, que não soube lidar com os atletas que tinham em mãos. Com todos esses saindo de forma fácil, sendo vendidos a preço de banana e virando ídolos inquestionáveis em outras equipes além de terem passagens pela Seleção brasileira.
Imagem relacionada
Djalminha, genioso que só, não quis saber de afinar para Renato. Mas infelizmente por causa disso a diretoria o dispensou
O primeiro caso foi o de Djalminha: o meia, após entrevero com um dos medalhões do elenco, o atual técnico do Grêmio Renato Portaluppi, em um jogo contra o Fluminense no finado Torneio Rio-São Paulo de 1993, foi dispensado após a diretoria preferir ficar com o medalhão. O meia foi repassado ao Guarani, que na época era treinado pelo técnico recém saído da Gávea: Carlinhos.

O meia passou dois anos mostrando um excelente futebol no Bugre - com uma passagem de 6 meses no Japão no meio - se transferiu ao Palmeiras, onde fez parte do ataque dos 100 gols e depois se consolidaria como um dos melhores meias do mundo no Deportivo La Coruña, onde ganhou uma Copa del Rey e uma La Liga - a primeira e única da história do time. É ídolo da torcida galega até hoje. Ganhou Campeonato Carioca, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro pelo Flamengo, mas nunca se consolidando como titular absoluto na Gávea. Segundo o mesmo, só se tornou um profissional de verdade quando saiu daqui.
Imagem relacionada
Paulo Nunes
Já Paulo Nunes chegou a ser titular mais recorrente do Flamengo, sendo um dos que mais partidas jogou no elenco na conquista do Carioca de 91 - foi a grande revelação do campeonato - e no Brasileirão de 92 - onde era titular até as fases finais, quando o time começou um revezamento para conciliar o brasileiro com o Torneio Rio-São Paulo. Mas ainda em 92 sofreu uma lesão no joelho, e ainda se recuperando desta, teve um 1993 abaixo do que poderia. No ano seguinte, a diretoria, pensando equivocadamente que o jovem jogador estava acabado resolveu o envolver como contrapeso a contratação de Magno - conhece? Não né? - do Grêmio. O resto é história.

Vindo a pedido de um ainda não tão vencedor Felipe Scolari, o "Diabo Loiro" formaria uma das melhores duplas de ataque da história com Jardel e ganharia tudo pelo time gaúcho: Estadual, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Libertadores. Não obstante, se transferiu para o Palmeiras - após uma conturbada passagem pelo Benfica - e repetiu a dose ganhando tudo novamente. É ídolo inquestionável das duas equipes.
Imagem relacionada
Marcelinho ainda hoje guarda mágoas com o Flamengo por ter sido vendido à contragosto
Marcelinho Carioca veio do Madureira para terminar sua formação na base do Fla, filho de família humilde, teve seu pai assistindo da geral do Maracanã a sua estréia como profissional substituindo ninguém mais ninguém menos que Zico. Ganhou títulos importantes assim como seus companheiros como a Copa do Brasil de 90, o Carioca de 91, e o Brasileiro de 92. Mas só se tornou titular absoluto em 93, ano em que acabou ficando marcado por perder uma cobrança numa disputa de pênaltis que decidia a Supercopa da Libertadores contra o São Paulo de Raí e Telê. A diretoria então, optou por vendê-lo contra sua vontade para o Corinthians.

No Corinthians, se tornaria um dos maiores ídolos - para muitos o maior - da história do alvinegro paulista. Ganhou todos os títulos possíveis, exceto a Libertadores: Estadual (4x), Copa do Brasil, Brasileirão (2x) e o primeiro Mundial de Clubes organizado pela FIFA, em 2000. O jogador é até hoje magoado com sua saída do Flamengo, tendo se recusado a voltar ao clube após o ocorrido e tendo até mesmo jogado pelo maior rival, o Vasco, em 2003. Se recusa até hoje a participar das festividades oferecidas a antigos jogadores pelo clube como a comemoração pelos 25 anos do penta brasileiro.

Isso é claro, para ficar nos mais emblemáticos. Outros bons jogadores dessa mesma geração foram Nélio, Júnior Baiano e Fabinho.

Esses jogadores saíram de forma tola porque na época a diretoria preferia gastar rios de dinheiro na contratação de medalhões e jogadores de qualidade duvidosa. Te lembra algo de atualmente? Pois bem, perdemos jogadores de extrema qualidade assim, será que continuaremos com a mesma política e seguiremos desperdiçando bons talentos?

Questões importantes a se responder.

Nenhum comentário:

Postar um comentário