sábado, 2 de dezembro de 2017

Memória Rubro-Negra #5: Atlético-MG 2x3 Flamengo pela Semi-final da Copa União de 1987


Renato Gaúcho comemora após driblar o goleiro João Leite e decretar a vitória do Flamengo. Imagem: Acervo O Globo

Apesar de certas pessoas insistirem em acreditar no contrário, a Copa União foi o verdadeiro campeonato brasileiro de 1987. A competição criada após a cisão do Clube dos 13 teve confrontos com vários jogadores que eram - ou viriam a ser - jogadores de seleção brasileira, e jogos memoráveis. Um deles o mais memorável da campanha do tetra brasileiro do Flamengo, completa 30 anos nesse dia 02 de dezembro, e iremos o relembrar no nosso Memória Rubro-Negra de hoje:

O Atlético Mineiro não era mais o mesmo time do início dos anos 80, apesar de ter alguns remanescentes daquele histórico time como o goleiro João Leite. Mas se estava longe da constelação de craques de outrora, contava com uma equipe bem arrumada e que jogava um bom futebol sob o comando do técnico Telê Santana - treinador do Brasil nas duas últimas Copas até então.

O Flamengo possuía alguns jogadores que faziam parte do time campeão mundial e bi brasileiro como Leandro - deslocado para a zaga, pois por causa de frequentes lesões o camisa 2 não podia ser tão desgastado numa posição de tão esforço físico como a lateral -, Andrade e um "tal" de Arthur Nunes Coimbra, o Zico.

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O camisa 10 da gávea perdeu físico, mas mantinha a qualidade técnica intacta.

O galinho, severamente afetado por anos de pancadas e mais ainda pela entrada criminosa de Márcio Nunes em 85, deixava o estilo de arrancadas fulminantes de antes e passava a ser mais um cérebro no meio de campo, utilizando mais os passes longos e se aproveitando da experiência para utilizar seu senso de posicionamento para marcar gols importantes. O que não mudou foi a calibragem nas cobranças de falta, como o gol contra o Santa Cruz naquele mesmo ano não deixa mentir.

Esses veteranos se juntava à revelações recentes do clube como o lateral Leonardo - que era meia, mas por causa de Zico aceitou ser recuado para suprir uma deficiência no elenco - e o meia - e atual comentarista - Zinho. Além de jogadores jovens garimpados de outros clubes como o lateral direito Jorginho - não escalado para essa partida - e Bebeto. Vindos do América - RJ e Vitória - BA respectivamente.

Somado a essa constelação de pratas da casa estavam dois jogadores já consagrados oriundos de times tricolores, um do Rio e o outro do do Sul. O zagueiro - e atual comentarista - Edinho e o hoje técnico campeão da América, Renato Gaúcho - e principal jogador dessa campanha na Copa União aliás. Essa turma toda sendo treinada pelo saudoso Carlinhos.

Curioso analisar que desse time, Zico e Edinho tinham ido à duas Copas do Mundo; Leandro só não foi a duas porque se solidarizou com o cortado amigo Renato Gaúcho na Copa de um ano antes. E Andrade só não foi a uma porque foi muito injustiçado, na seleção, pelo técnico do rival daquela noite. E Leonardo, Zinho, Jorginho e Bebeto seriam tetracampeões do mundo 7 anos depois nos EUA.

Uma verdadeira seleção rubro-negra.

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A constelação de craques rubro-negra.
A partida era válida pelo jogo de volta da semi-final daquela Copa União. A partida de ida, em uma Maracanã lotada teve vitória do Mais Querido pelo placar mínimo com tento de Bebeto. A vantagem e o time mais estrelado do Flamengo davam certo favoritismo ao Flamengo, favoritismo que só aumentou quando Zico abriu o placar no Mineirão:

Aos 22', Bebeto ganhou no corpo - e olha que físico não era o forte do camisa 9 naquela época - pela direita e cruzou alto para o galinho, subindo sorrateiramente entre os zagueiros, tocar de cabeça para o gol de João Leite.

O Flamengo ainda marcaria mais um, 11 minutos depois: Zico descolou lançamento para Renato Gaúcho pela direita; o ponta cruzou para a área onde estavam apenas Batista, João Leite e Bebeto. O zagueiro atleticano cortou mal a bola, matou o goleiro e Bebeto carimbou pro gol. 2x0 Fla.

A partida ainda teve que ficar 8 minutos parada após invasão de alguns torcedores atleticanos no gramado, agredindo inclusive um dos jogadores do Flamengo.

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A confusão após a invasão de campo de um torcedor.
Com a partida dando vantagem de 3x0 para o Flamengo - contando com o gol no primeiro jogo - era de se imaginar que o confronto estivesse já decidido e que os 45 minutos finais seriam puro complemento. Mas o Atlético, como eu já disse, era uma pedra no sapato rubro-negro na época e não é de hoje que o Fla gosta de dar "emoção" à suas partidas:

Após o Flamengo desperdiçar chance no ataque, os donos da casa vieram em contra-ataque e o atacante Renato foi derrubado na área. Pênalti. Chiquinho foi para a cobrança e bateu forte no canto direito deslocando Zé Carlos. O Atlético diminuía a vantagem flamenguista.

4 minutos depois aconteceu o improvável: após estarem perdendo por dois gols de diferença o Atlético chegaria ao empate após Sergio Araújo receber cobrança de falta rasteira perto da área, fintar Leonardo e Edinho e tocar no canto esquerdo do goleiro antes da chegada de Leandro.

O Atlético deixava tudo igual, e era empurrado pela torcida em busca do gol da vitória e da classificação - já que na época em caso de empate no agregado passava o time de melhor campanha e os mineiros possuíam a melhor campanha geral da competição.

O Flamengo já estava sem Zico e Bebeto, substituídos, e a maioria de seus jogadores estava fisicamente esgotado. Mas é nos momentos mais improváveis que os craques aparecem: aos 79', o Flamengo roubou bola no meio de campo e ela sobrou com Renato. O camisa 7, mesmo esgotado, deu um último sprint e deu uma arrancada sensacional, ganhando do zagueiro no corpo e driblando João Leite antes de tocar pro fundo do gol.

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Renato comemora o golaço que deu a vitória ao Fla.
Se não era tão bom ou melhor que Cristiano Ronaldo como gosta de se vangloriar, o hoje técnico tinha um poder de decisão próximo ao do camisa 7 português.

Após essa marcante vitória, o Flamengo avançaria para a final onde ganharia do Internacional de Dunga e Taffarel para ser coroado pela 4ª vez campeão brasileiro de futebol. A CBF, a Justiça Comum e um certo time do nordeste pode até tentar apagar essa conquista na caneta, mas a história escrita na bola e no campo fica marcada para sempre. #SRN

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