sábado, 3 de fevereiro de 2018

Henrique Dourado: Será esse o "9" que precisávamos?


A suspensão do peruano Paolo Guerrero por doping até o meio do ano e a iminente venda de Vizeu à Udinese, somada a inexperiência do talento precoce Lincoln fez com que a diretoria do Flamengo iniciasse uma procura por um centroavante. Fred foi sondado, mas acabou indo para o Cruzeiro, Love chegou a estar bem próximo mas em mais um exemplo na forma controversa que o Fla leva suas negociações acabou ficando pela Turquia. A solução acabou por ser aproveitar a draga do maior rival e trazer Henrique Dourado, o Ceifador, para a posição.


Dourado tem uma trajetória um tanto curiosa e irregular na carreira: começou como lateral esquerdo no, olha que irônico, Flamengo de Guarulhos em 2007, passou sem grande destaque por alguns clubes até fazer 5 gols em 8 partidas pela Chapecoense em 2012, teve alguns brilhos no Mogi Mirim e foi contratado pelo Mirassol, clube que até hoje possui parte dos direitos do jogador. Foi contratado pelo Santos, teve desempenho pífio; foi para a Portuguesa onde se destacou no Paulistão e foi contratado pelo Palmeiras no mesmo ano de 2014, ajudando o clube alviverde a se salvar na última rodada do rebaixamento. Foi para o Cruzeiro onde não aconteceu, teve algum destaque no Vitória de Guimarães e em 2016 chegou ao Fluminense para a passagem mais prolífica da carreira, marcando 34 gols em 75 partidas pelos tricolores. Ufa!

Como se pode observar pelo parágrafo anterior, um dos pontos que geram incógnitas sobre a chegada do atacante é a estrada irregular que percorreu na carreira até aqui. Demorou 7 anos para chegar a um grande time e depois demorou dois anos até voltar a se destacar no Fluminense, é possível se esperar um continuidade do desempenho no Fluminense por parte do atacante ou teria sido apenas um espasmo de boa fase?

Um ponto de esperança ao torcedor rubro-negro quanto a isso é que o jogador teve uma visível evolução desde que despontou no Palmeiras, se tornando mais participativo no jogo, se movimentando mais e fazendo um pivô bem decente. Obviamente, não é um Guerrero mas tem seu poder de movimentação.

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Aliás, é interessante se notar algumas diferenças entre o peruano e Henrique: se Paolo se sai melhor fora da área e tem movimentação e pivô superiores, o brasileiro tem um aproveitamento superior nas finalizações e um melhor senso de posicionamento. Como provam esses números: desde 2013 pelo Brasileirão, Dourado fez 100 jogos, 177 finalizações e 39 gols. Já Guerrero fez 35 gols, finalizando 303 vezes em 102 jogos. O ex-flu tem média de 0.4 impedimentos por jogo e o peruano 0.8.

Como podemos ver pelos números, Dourado precisa de menos chutes para chegar ao gol. É o perfeito exemplar do atacante finalizador, que joga "só por uma bola", característica diametralmente oposta ao de seu agora companheiro de clube Guerrero.

O jogador também tem como ponto forte o aproveitamento nas cobranças de pênaltis: de 21 cobranças errou apenas uma, em 2014 contra o Atlético Mineiro, desde então o que mais próximo chegou de defender um penal do centroavante foi Thiago no FlaxFlu do ano passado.

Entretanto isso também gera questionamentos sobre o real poder de artilharia do atacante, uma vez que de seus 14 gols no Brasileirão passado, 6 foram cobrando uma penalidade máxima. O Fluminense teve a bonança de ter tantos pênaltis a favor mas e se isso não ocorrer com o Flamengo, ele conseguirá ter uma boa média de gols só com a bola rolando?

Dourado conseguiu se destacar em times horrendos de Palmeiras e Fluminense, o Flamengo é o clube mais "ajeitado" que vai jogar em toda a sua carreira. Só que isso não implica diretamente que por ter se destacado em times fracos que o jogador se dará bem em time mais encorpado. Estará em um time que lhe criará mais chances e isso é óbvio, mas dependerá do atacante se sua média de gols aumentará ao receber mais assistências ou se irá diminuir pois não terá capacidade de as aproveitá-las?

Com Vizeu no elenco, era necessário Dourado?

Um dos questionamentos de parte da torcida com a vinda de Dourado era que o prata da casa, Felipe Vizeu após um período em baixa terminou o ano como um dos destaques da equipe no caminho rumo à final da Sulamericana, especialmente nos dois jogos contra o Barranquilla. Era necessário mesmo se desfazer do jovem(por um grana irrisória, diga-se) para apostar em Dourado?

Os dois têm características parecidas e nível de futebol semelhante, Dourado leva vantagem no jogo aéreo, ponto fraco de Vizeu, e no pivô. Além disso, o camisa 25 se prova um tanto irregular e Dourado vem como uma opção que forneça mais segurança de gols e boas atuações. Será?


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