sábado, 10 de março de 2018

O tragicômico retrospecto do Flamengo na Libertadores


É de conhecimento dos flamenguistas que a Libertadores é uma espécie de trauma para o clube: eliminações que beiram o ridículo, derrotas para equipes sem tradição e viradas improváveis. Sempre da forma mais vexaminosa possível. Pro Flamengo em Liberta não basta apenas perder, tem que passar vergonha. Afinal, de 14 participações(contando até 2017) são 5 eliminações na fase de grupos. Os "campeões" brasileiros no quesito. Por causa disso, decidimos analisar uma a uma cada eliminação do Flamengo na competição e tenta entender um pouco o porquê disso, será que foi sempre assim?

A primeira participação do Mais Querido no torneio foi em 1981, após ser campeão brasileiro pela primeira vez no ano anterior. Pra quem se espanta com a demora do clube em participar da competição(a primeira edição foi em 1960) bom deixar claro que na época, diferente da farra de vagas que se têm hoje, apenas os campeões e os vice-campeões dos torneios nacionais podiam participar. E o Fla durante esse período esteve um tanto distante dessas posições.

Não vou me alongar muito em 81, até porque o foco do texto não é esse e todo mundo sabe o que aconteceu: jogos polêmicos com o Atlético, Cobreloa descendo a porrada, Zico metendo de falta, Carpegianni mandando Anselmo socar Mário Soto, Fla campeão e um ano que nunca mais ficaria no passado pelos sucessivos fracassos no presente. O que nos faz pular para o ano seguinte: 1982.

1982 - Classificação perdida em casa

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Em 82, como previa regulamento da época, entramos direto na fase semifinal por sermos os atuais campeões. Também à época a Libertadores tinha a peculiaridade da semifinal ser decidida em grupos de 3 e não em um jogo mata-mata. Acabamos por entrar em um grupo complicadíssimo com River Plate e Peñarol.

Estreamos perdendo por 1 a 0 para o Peñarol em Montevidéu, e na sequência metemos 0x3 no River Plate em pleno Monumental de Nuñes, vencemos de novo os argentinos por 4x2 no Maracanã mas acabamos perdendo para o Peñarol por 0x1 em um Maraca com pouco mais de 90 mil pessoas em dia de temporal na cidade do Rio de Janeiro. Acabamos por ficar em segundo no grupo, com 4 pontos, metade do classificado Peñarol - à época a vitória valia dois pontos, diga-se - e ficamos pelo caminho. Os carboneros acabariam sendo os campeões daquela edição vencendo na final o - olha que curioso - Cobreloa. Será que também apanharam que nem a gente?



1983 - A primeira vez de muitas

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Em 83 se daria a nossa primeira eliminação na fase de grupos da Libertadores: ficamos no grupo 2 com Grêmio, Bolívar e Blooming - sim dois brasileiros e dois bolivianos, na época os grupos eram formados com o campeão e o vice nacional de dois países. Estreamos empatando com o Grêmio no Olímpico por 1x1 e tivemos uma passagem desastrosa na Bolívia empatando a zero com o Blooming(!!)e perdendo de 3 a 1 para o Bolívar(!!!!!!) em La Paz - dá pra dizer que foram nossos primeiros, de muitos, vexames na Liberta. Menos mal que nas partidas de volta no Rio de Janeiro o Flamengo goleou o Blooming por 7x1 e o Bolívar por 5x2, mas com apenas 6 pontos contra 9 do Grêmio nem havia como sonhar. E os tricolores sacramentariam sua ida à próxima fase com uma vitória 1x3 em pleno Maracanã. Os gaúchos acabariam por conquistar seu inédito título naquela edição.

Não sei se conseguiu perceber, mas uma coisa de curiosa que acontecia até aqui é que o Flamengo sempre acabava eliminado pelo futuro campeão da edição e o vice sempre era um time que o Fla já havia enfrentado no ano anterior.



1984 - O mais próximo que já chegamos do bi*

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Na edição de 1984 faríamos aquela que seria nossa melhor participação na competição - fora obviamente 1981 - e isso tudo sem Zico e sem Júnior - esse na metade final da competição. Entramos no Grupo 3 com América de Cali, Junior Barranquilla e o Santos. Estreamos vencendo os santistas por 4x1 no Maracanã, na sequência empatamos a 1 com o América em Cali; vencemos o Junior por 1x2 fora de casa, empilhamos 5 no Santos no Morumbi e vencemos o América por 4x2 aqui no Rio. Passamos com 11 pontos para a fase de grupos semifinal, em que estaríamos no mesmo grupo que Grêmio e Universidad Los Andes da Venezuela.

O problema é que entre o último jogo da fase grupos, no início de maio, e o primeiro jogo da semifinal no final de junho o Flamengo passou uma fase de forte turbulência política que culminou na demissão do então técnico da equipe Cláudio Garcia e a chegada de Zagallo para o cargo, pra melhorar Júnior era vendido para o Torino da Itália. Ainda por cima iria enfrentar o Grêmio no Olímpico com desfalques, como Leandro e seu reserva(!!!) e Figueiredo na zaga. Além de ter um bom número de jogadores inexperientes em campo.

Resultado: Grêmio 5 a 1 fora o baile. Na partida seguinte visitamos o Universidad em Caracas e vencemos por 0x3, demos o troco no Grêmio vencendo por 3x1 no Maraca e vencemos os venezuelanos por 2x1 em casa. Flamengo e Grêmio terminaram empatados em pontos - 6 pra cada - e as regras determinavam um jogo desempate em campo neutro com vantagem do empate para a equipe com melhor saldo de gols, no caso os tricolores com 9 de saldo(contra apenas 2 do Flamengo). Na partida disputada no Pacaembu prevaleceu o empate a 0 durante todos os 120 minutos de jogo - sim, o time com melhor saldo além de ser obrigado a ter que jogar uma partida desempate ainda tinha que aguentar prorrogação em caso de empate no tempo normal, e se o empate persistisse a partida não iria para os pênaltis mas sim o classificado seria o com o melhor saldo. Não seria mais simples, e mais justo, dar a vaga para o com o melhor saldo sem necessidade de um jogo-desempate? Seria, mas fazer o simples sempre foi uma dificuldade da CONMEBOL...

O Grêmio acabaria vice-campeão daquela edição para o Indepiendente. Fato engraçado é que o Flamengo foi o time com mais gols naquela edição da Libertadores com 29 gols, 11 a mais que o campeão Indepiendente e com um jogo a menos, tendo ainda o artilheiro da competição, Tita com 8 gols mas ironicamente fomos eliminados pelo saldo de gols. Ai meu Mengo...



Após essa bela campanha, o Mais Querido ficaria 7 anos sem participar da Libertadores - bom lembrar que em 87 a CBF resolveu dizer que o campeão brasileiro era o Sport, e eles estão acreditando nisso até hoje, então os enviados para a Libertadores de 1988 foram Sport e Guarani.

1991 - Sofrimento na Bombonera

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Em 91 estávamos na Libertadores pelo título da Copa do Brasil de 1990, e em um grupo com o então campeão brasileiro Corinthians e os uruguaios Nacional e Bella Vista. Estreamos empatando com o Corinthians em 1x1 mandando o jogo em Cuiabá(não é de hoje pelo visto que o clube manda seus jogos em outro estado), empatou novamente, dessa vez com o Bella Vista em 2x2 no Uruguai e venceu por 1x0 o Nacional também na antiga Cisplatina. Aí vencemos o Corinthians no Pacaembu por 0x2 e empatamos de novo com o Bella Vista em casa e goleamos o Nacional por 4x0 no Maracanã. Passamos em primeiro no grupo com 9 pontos - as vitórias já haviam passado a valer 3 nessa época. O engraçado é que além do Fla, Corinthians e Nacional também passaram, porque em cada grupo passavam 3!!! CONMEBOL...

Nas oitavas de final, enfrentamos o Unión Táchira da Venezuela e vencemos fora de casa por 2x3. Na partida de volta goleamos sem piedade por 5x0. Mas a felicidade durou pouco e as quartas nos presentearam com um confronto contra o Boca Junior, até então "apenas" bicampeão da Libertadores longe de ser o bicho papão da virada do século mas uma equipe de respeito liderada por ninguém menos que o futuro craque Gabriel Batistuta e por Diego Latorre. Na partida de ida no Maracanã até vencemos por 2x1, mas na volta fomos atropelados na Bombonera por 3x0.



Como curiosidade, tivemos o melhor ataque da fase inicial, o artilheiro da edição: o saudoso Gaúcho com 8 gols e aplicamos a maior goleada do campeonato.

1993 - O São Paulo de Telê era demais para nós

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Depois de um pequeno intervalo de dois anos, o Flamengo voltaria à La Copa após o penta brasileiro em 1992. Ficaríamos no Grupo 4 junto aos colombianos América de Cali e Atlético Nacional além do Internacional campeão da Copa do Brasil. Estreamos contra os colorados lá no Sul e empatamos a zero, fomos visitar o América em Cali e perdemos por 2x1, mas nos recuperamos desses dois maus resultados vencendo o Nacional por 0x1 fora de casa. No returno do grupo perdemos novamente para o América, dessa vez por 1x3 e em pleno Maracanã. Classificação ameaçada, porém o Flamengo uniria forças para vencer Nacional e Inter por 3x1 em casa, acabaríamos passando em primeiro no grupo pelo saldo de gols - América e Nacional também tinham o mesmo número de pontos só que o América tinha um gol a menos de saldo, o Nacional tinha o mesmo saldo do Fla mas havia feito um gol a menos.

Nas oitavas de final o clube enfrentaria o Minervén da Venezuela e não teria piedade: enfiaria 8 a 2 aqui no Maracanã, na volta na Venezuela apenas um magro 1x0. Se a chave anterior foi generosa com o Flamengo o confrontando com um time fraco, as quartas reservariam uma pedreira: o São Paulo de Telê Santana, Raí e Müller, atual campeão da Libertadores e do mundo. O favoritismo pendia pros paulistas, que o fizeram valer: o Flamengo até empatou em 1x1 na partida de ida no Maracanã mas no Morumbi os tricolores venceram por 2x0 e avançariam para seu bicampeonato continental e meses depois mundial.



Essa participação um tanto honrada, teve algo de simbólico, ainda que não percebido na época, fechou o período de ouro do time como um dos melhores times do Brasil e competitivo nos grandes títulos e mais ainda: marcou o fim das participações decentes do clube na Libertadores, chegando sempre às fases agudas e eliminados por times fortes - prova disso é que boa parte dos times que nos eliminaram acabavam campeões. Depois de nossa participação em 1993, exceção feita à somente um ano, nunca mais chegaríamos nas quartas ou seríamos eliminados de forma minimamente digna. Daqui pra frente é um vexame maior que o outro quase que em sequência. Como veremos a seguir:

2002 - Tempos difíceis na Gávea

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Depois de 9 anos de ausência, o Flamengo voltava a Libertadores por ter vencido a Copa dos Campeões. O clube estava no início do período turbulento que viveu na primeira metade da década e que quase culminou em um inédito rebaixamento. Entramos no Grupo 8 com Olimpia, Universidad Católica e Once Caldas. Começamos perdendo para o Once Caldas na Colômbia, perdemos na segunda rodada por 1x3 para o Católica em casa; conquistaríamos em sequência nossa única vitória no grupo com a vitória por 4x1 no Once Caldas no Maracanã empatamos a zero com o Olímpia também no Maraca.  E perdemos para a Católica por 2x1 e para o Olimpia por 2x0. Terminando o grupo com apenas 1 vitória, 1 empate, 4 derrotas, 4 pontos sendo o time que menos fez gols e o com pior saldo; além é claro da última posição no grupo.

2007 - Assalto no Maracanã

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Depois de 5 anos de ausência voltaríamos a Libertadores em 2007. Se 2002 era marcado pelo início de anos tenebrosos na Gávea, 07 simbolizava uma recuperação do clube naquela metade final da década. O clube chegava à La Copa via título da Copa do Brasil, entravamos no grupo 5 com Paraná Real Potosí da Bolívia e Unión Maracaibo da Venezuela. O grupo era muito fácil, e o Fla fez sua parte, começou empatando a 2 com o Potosí na Bolívia é verdade mas dali pra frente sem mais tropeços: vitória por 3x1 contra o Maracaibo no Maraca, vitória pelo placar simples contra o Paraná fora de casa; nova vitória por 1 a 0 contra o Paraná no Rio, 1x2 em cima do Maracaibo na Venezuela e 1x0 em cima do Potosí no Maracanã.

Passamos em primeiro lugar no grupo com 16 pontos e ficamos na segunda melhor posição geral, atrás somente do Santos. Naquela época vigorava a regra do melhor contra o pior, ou seja o melhor primeiro classificado enfrentaria o pior segundo classificado, o segundo primeiro melhor o segundo segundo pior e por aí vai. Essa regra poderia nos beneficiar, mas como bem sabem os iniciados em La Copa, de nada adianta o que você fez na fase de grupos: a Libertadores só começa a partir das oitavas.

E esse choque de realidade que acontece da fase de grupos para o mata-mata não poderia ter sido mais cruel: enfrentamos o Defensor, um clube pequeno do Uruguai que entrou na Libertadores via Pré, jogamos a primeira partida no Centenário e tomamos 3x0 e um verdadeiro banho de bola. Na volta no Maracanã conseguimos fazer 2x0 mas não conseguimos fazer o gol que nos levaria à prorrogação, muito por conta do árbitro Baldassi, que resolveu não nos dar dois pênaltis. Libertadores tem dessas...


Mas o futuro ainda nos reservava coisas piores. Como veremos a seguir...

2008 - C A B A Ñ A S
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Depois de 24 anos conseguimos nos classificar por dois anos seguidos à Libertadores, graças à arrancada histórica no Campeonato Brasileiro de 2007 saindo do rebaixamento e chegando à 3ª colocação. Entramos no Grupo 4 com o Nacional do Uruguai e Cienciano e Coronel Bolognesi do Peru. Estreamos contra o Bolognesi fora de casa e empatamos a 0, conquistamos nossa primeira vitória na partida seguinte com um 2x1 no Cienciano no Maracanã mas tropeçaríamos feio tomando de 3 a 0 do Nacional no Parque Central, demos a troca nos uruguaios com um 2x0 no Maracanã; vencemos o Cienciano por 0x3 fora de casa e o Bolognesi por 2x0 no Maracanã.

Terminamos como o segundo melhor primeiro colocado no geral com 13 pontos, atrás somente do Fluminense pelo saldo de gols. Enfrentaríamos o segundo pior segundo colocado: o América do México. Na partida de ida no México, uma das melhores atuações da história recente do Flamengo; 2x4 partidaças de Marcinho, Obina e Léo Moura e ainda poderiam ser mais não fosse o goleiro Ochoa.


Nesse meio tempo, o técnico Joel Santana aceitou proposta da seleção da África do Sul. Isso mais a vantagem conquistada na primeira partida deu ares de festa de despedida para a partida de volta. E a combinação clima de "já ganhou" + jogo decisivo + Maracanã lotado sempre deu resultados desastrosos para o Flamengo. E não poderia ser diferente dessa vez: 0x3 América, dois gols e show do gordinho paraguaio Cabañas.


A eliminação mais traumática e doída do Flamengo e possivelmente o maior vexame de um clube brasileiro na história da Libertadores.

2010 - A última participação honrada

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Após a conquista do Hexa brasileiro em 2009, a Libertadores de 2010 se mostrava como a chance mais concreta de título da Libertadores em muitos anos. Afinal a base do título nacional era praticamente a mesma(Adriano, Petkovic, Bruno) mais o reforço de Vágner Love. Entraríamos no grupo 8 com o Caracas e os universitários chilenos da Universidad Católica e Universidad de Chile.

Começamos bem a campanha com um 2x0 na Universidad Católica no Maracanã e uma vitória por 1x3 no Caracas fora de casa; tropeçaríamos pela primeira vez com uma derrota de 2x1 para a Universidad de Chile, empataríamos a 2 com o mesmo na primeira partida do returno em casa e perderíamos fora de casa para a Católica mas vencemos o Caracas em um jogo mais difícil do que deveria por 3x2. Chegamos a ficar com a classificação ameaçada mas conseguimos passar como um dos melhores segundo colocados pelo saldo de gols, 3 a mais que o Deportivo Quito - sim, nessa edição da Libertadores nem todos os segundos colocados passavam pois a CONMEBOL inventou de colocar dois times mexicanos à partir das oitavas de final, então dois dos 10 segundo colocados iriam rodar. Por pouco não foi a gente...

Nas oitavas de final enfrentaríamos o melhor primeiro colocado por termos sido o pior segundo colocado, que nesse caso era o Corinthians do Fenômeno - e traidor - Ronaldo e que no ano de seu centenário vivia a expectativa de conquistar seu - então - inédito título. Na partida de ida no Maracanã, muitos xingamentos à Ronaldo e gol da vitória marcado por Adriano de pênalti. Na volta no Pacaembu o Corinthians abriu 2x0 e esteve às vias de se classificar mas um gol salvador de Love no início do segundo tempo deu a classificação para o Flamengo pelo gol fora de casa.

Mas se o gol fora de casa foi a nossa salvação contra o Corinthians, contra nosso próximo adversário seria a nossa desgraça: enfrentaríamos a Universidad de Chile com a partida de ida no Maracanã, acabamos por perder de 2x3. Existia a expectativa de conseguirmos virar no segundo jogo no Chile, o que por pouco não ocorreu: abrimos 0x1, eles empataram com um golaço de Montillo mas Didico devolveu nossa vantagem no placar. Mas ficaria nisso, ainda mais porque Vinícius Pacheco de frente pro gol preferiu se jogar a chutar pro gol ou assistir um companheiro.



A eliminação doeu, mas a participação na competição foi minimamente boa. Mal sabíamos que essa seria nossa última participação com um mínimo de honradez na competição - até agora pelo menos. Na sequência dos anos 10 as participações do Flamengo na Libertadores podem ser resumidas com uma palavra: vergonha.

2012 - Foi aí que nossos problemas começaram
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Após o quarto lugar no Brasileirão de 2011, o Flamengo voltou para a Libertadores em 2012. Estávamos no mesmo grupo de Lanús, Emelec e Olímpia. Começamos com um empate a 1 contra o Lanús em La Fortaleza, vencemos o Emelec em casa por 1x0 e empatou em 3x3 com o Olimpia no Engenhão com TODOS OS TRÊS gols do time paraguaio saindo após os 30' do segundo tempo, quando vencíamos por 3x0. Contra os mesmos no Paraguai perdemos por 3x2, mesmo placar da derrota para o Emelec no Equador. Com 5 pontos contra 6 do Emelec, a decisão do segundo lugar ficaria para a última rodada: o Fla fez sua parte e derrotou o já classificado Lanús por 3x0, as partidas eram simultâneas e o jogo dos equatorianos estava nos acréscimos, empatado - o que dava a classificação para o clube da Gávea. Foi aí que Léo Moura teve a péssima ideia de aceitar o convite da Fox Sports para acompanhar a narração ao vivo da outra partida do grupo e...gol do Emelec. E mais um vexame para a história.

2014 - Um gatinho enfrentando um León
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Depois de uma inesperada conquista da Copa do Brasil em 2013, o Flamengo acabou participando de uma Libertadores muito antes do que a diretoria que assumiu em 2013 planejava. Entramos no grupo 7 com León do México , Bolívar e Emelec. Começamos com uma derrota de 2x1 para o León no México, nos recuperamos com uma boa vitória de 3x1 no Emelec - com direito a último gol de Brocador pelo clube - empata com o Bolívar em 2x2 no Maracanã e perde para o mesmo Bolívar pelo placar mínimo na altitude de La Paz; contra o Emelec vitória heroica com gol de Paulinho aos 47' do segundo tempo depois de jogadaça de Negueba. Essa vitória levou a decisão do segundo lugar para a última partida - pois Flamengo e León estavam com 7 pontos - justamente contra os mexicanos no Maraca. Apesar do esforço não deu: o León venceu por 2x3 sem nunca estarmos à frente do placar.

Como havia dito, a participação na Libertadores veio de forma inesperada em um título ainda mais inesperado ainda em meio ao processo de recuperação financeira do clube. Não havia como fazer grandes investimentos e o time era limitado, e pelo menos conseguimos brigar pela classificação até o último jogo. Mas infelizmente, o que fica para a história é a mancha da eliminação na primeira fase.

2017 - Dor ainda não cicatrizada

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Se em 2014 estávamos apertando os cintos para saldar nossas dívidas, em 2017 tínhamos um pouco mais de folga para contratar e a torcida estava empolgada com uma boa campanha mesmo com o grupo difícil formado ao lado de San Lorenzo, Atlético Paranaense e Universidad Católica. E de início essa empolgação se mostrava válida após começar goleando o San Lorenzo por 4x0 em um lotado Maracanã, mas na sequência veio a derrota por 1x0 para o Católica recuperado com uma vitória em casa por 2x1 pra cima do Atlético - sem sabermos, essa vitória foi o início do fim pois Diego se lesionou(e nunca mais foi o mesmo desde então) e desfalcou o time nas partidas restantes. Perdemos para o Furacão por 2x1 na Arena e ganhamos por 3x1 a Católica aqui no Rio. Eram 2 vagas para 3 times decididas na última rodada.

Mas o Fla tinha certo favoritismo a passar: de 10 possibilidades em 9 passaríamos. Adivinha qual aconteceu com o Flamengo? Exatamente, perdemos de 2x1 de virada para o San Lorenzo no Nuevo Gasómetro e o Atlético Paranaense venceu o Católica por 2x3 nos eliminando da Libertadores e mandando-nos para a Sulamericana.


Ano passado foram uma sucessão de erros que é até difícil de explicar: o elenco não era tão pronto quanto se pensava e a reposição de alguns jogadores chave para a campanha no 3º lugar no brasileiro no ano anterior não foi a mais correta, a não contratação de um zagueiro que passasse confiança, as perdas de gols horrendas de Paolo Guerrero; a lesão de Diego a insistência de Zé Ricardo com jogadores de qualidade duvidosa em detrimento de outros como por exemplo Juan sendo resrva de Vaz e é claro o mesmo Zé Ricardo que nunca foi fã na sua passagem pelo Flamengo de utilizar jogadores da base na equipe principal colocando um frio Matheus Sávio para entregar 2 bolas que resultariam em gols - bom dizer é verdade que ele teve uma bela ajuda de Rodinei, Vaz e Muralha.

É incrível pensar que até os anos 2010 a gente normalmente ia até uma fase aguda da competição, e normalmente éramos eliminados por times fortes ou até mesmo pelos futuro campeões. Os vexames eram mais uma exceção do que uma regra. Mas tudo mudou nos últimos anos, o que nos espera a edição de 2018? Não sei, mas espero um mínimo de honradez.

*: Para maiores informações sobre a campanha de 1984 recomendo esse texto aqui do blog Flamengo Alternativo.

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