quinta-feira, 8 de março de 2018

Boavista 0x3 Flamengo | A volta de Júlio César e a Paquetá-dependência



Vou começar sendo sincero, depois de ver o jogaço entre Totenham e Juventus pela Champions League pouco me dava vontade de ligar a TV e assistir o possante Boavista x Flamengo pelo mais possante ainda Campeonato Carioca. A única coisa que me motivou a assistir isso foi a volta do talvez melhor goleiro da nossa história à uma partida oficial pelo Fla.

E muito provavelmente também seria a principal motivação para um bom número de torcedores ir ao jogo. Seria. Se não fosse a diretoria ter cagado e andado pra isso, não ter feito nenhuma ação de marketing chamando a torcida ou abrindo  a venda de ingressos mais cedo. Fez uns dois posts nas redes sociais e só. Júlio - visivelmente emocionado - teve que reestrear pelo Flamengo num vazio Raulino de Oliveira.

Mas depois de começado o jogo, nem mesmo minha grande simpatia por JC me fazia ver alguma graça na partida: o time estava tão mal e o jogo tão chato que eu passei a desejar no meu subconsciente que Júlio pegasse a bola e saísse driblando até o campo de ataque para dar alguma emoção ao jogo, ou até mesmo criar alguma jogada perigosa de ataque, vai saber...

O time não conseguia completar 3 passes em sequência, não fazia sequer uma jogada trabalhada. Renê e Rodinei erravam tudo, Éverton Cardoso continuava a matar as poucas jogadas de ataque criadas pelo Fla na esquerda e ER e Diego continuavam a jogar como se fosse jogadores comuns. Dourado então, me faz crer que cada vez mais sua principal utilidade é nos fazer torcer a partida inteira para que o juiz marque alguma falta dentro da área e ele possa cobrar um de seus indefensáveis pênaltis.

Porém, como vem sendo de praxe nesse início de temporada, Paquetá era exceção no marasmo rubro-negro. Acertava jogadas de efeito, passes que clareavam as jogadas e era o maior perigo do Flamengo no jogo, pena que chute tão pifiamente ao gol. Se treinar intensivamente as finalizações e melhorar nelas o garoto pode até sonhar com Seleção.

E esse protagonismo do Paquetá mostra o quanto as coisas são invertidas no Flamengo: o clube paga milhões em jogadores consolidados como Éverton Ribeiro e Diego para que eles sejam os líderes técnicos da equipe mas quem toma a responsabilidade pra si é um jovem de 20 anos vindo da base. Curioso não?

Se o primeiro tempo deu depressão profunda no segundo ao menos as coisas ficaram mais movimentadas. ER acordou pra vida e tentou alguns passes em profundidade, Rhodolfo querendo mostrar que pode muito bem ser titular no meio ofensivo tentou duas jogadas de efeito no ataque. Em uma delas saiu o escanteio, a defesa do Boavista afastou e Rodinei pegou o rebote pro goleiro Rafael aceitar feio. 0x1. Com esse gol, o Rodilindo vai continuar enganando por mais alguns jogos a torcida fazendo a crer que é bom jogador.

Aos 30' Arão e Vizeu entraram no lugar de ER e Dourado. A entrada de Arão no lugar do camisa 7 me faz ter sérias preocupações com a possibilidade de Carpegianni considerar a entrada dele no time titular na partida contra o Emelec, medo define. Já o mal vendido Vizeu mostrando mais recursos que o camisa 19 titular ia fazendo boa trama com Paquetá até sofrer falta - inexistente - na entrada da área. Diego foi pra bola e bateu no meio do gol, mas o goleiro aceitou. 0x2 Fla.

Logo depois, nova falta pro Flamengo, dessa vez do lado direito da área. Paquetá foi na bola e marcou um verdadeiro golaço. 0x3. Com Dourado, Diego e Paquetá o Flamengo mostra que se a Libertadores fosse em desafio de bola parada seríamos os principais favoritos.

Ainda que seja início de temporada - pouco menos de dois meses de bola rolando até aqui - as últimas apresentações do Flamengo abalam a esperança do torcedor no futuro do time nessa temporada. Mesmo que seja cedo, se pouca ou nenhuma semente ou germinação de ideias que faça crer que a equipe irá evoluir - muito pelo contrário: a impressão que se passa é a de que daqui 3 meses estaremos jogando da mesma forma.

O time não tabela, não consegue trabalhar as jogadas, fazer simples triangulações e etc. E acima de tudo esbarramos nas deficiências técnicas dos nossos laterais - seja qual for - na falta de QI futebolístico de Éverton Cardoso e no rendimento abaixo da média de alguns jogadores que se esperava mais como Diego e Éverton Ribeiro. A boa notícia fica por parte de Gustavo Cuellar que mantêm sua regularidade de boas atuações.

Hoje o Flamengo é um amontoado de jogadores cujo único plano de jogo é "bola no Paquetá e vamo ver se ele resolve". E é inadmissível que um time que gastou tanto e que possui pretensões de ganhar algo - se é que tem - tenha como única jogada dar a bola em um jovem de 20 anos e esperar que ele sozinho crie chances, brigue contra os zagueiros, finalize, marque pressão, volte pra marcar, volte pra fazer a saída de bola, tente fazer um acordo diplomático entre Israel e Palestina, pare a Guerra da Síria entre outras coisas.

O Flamengo pouco joga e pouco convence. Será assim até quando?




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